Conferência de encerramento da III Semana da África discute interculturalidade em arte e educação

A oficina sobre “Corporeidades africanas ancestrais com percussão e ritmos da Guiné Bissau”.

A oficina sobre “Corporeidades africanas ancestrais com percussão e ritmos da Guiné Bissau”.

Aconteceu na manhã desta sexta-feira (26), no Pátio Administrativo do Campus da Liberdade, em Redenção/CE, a conferência de encerramento da III Semana da África na Unilab, que, neste ano, trouxe como tema central “África Minha, África Nossa”. O evento lembrou ainda o início das atividades acadêmicas na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), ocorrido em 25 de maio de 2011.

Para aquecer o corpo e a mente dos participantes, deu-se, antes do início da conferência, a oficina “Corporeidades africanas ancestrais com percussão e ritmos da Guiné Bissau”, ministrada por Rubéns Lopes, professor e pesquisador em dança, e Trindade Gomes, músico e dançarino.

Reunindo gestores, estudantes, pesquisadores e artistas de linguagens diversas, como a dança e o cinema, a conferência trouxe para o centro do debate a “Interculturalidade crítica em arte e educação”. Esta ação, que faz parte do Programa Encontros Cultura e Pensamento, da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, (Secult), contou, em sua quinta edição, com as parceiras da Unilab, via Pró-Reitoria de Extensão, Arte e Cultura (Proex), e da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Lenildo Gomes, responsável pela Coordenadoria de Conhecimento e Formação da Secult, explicou a natureza desse programa e enalteceu a parceria com a Unilab. “Esta é a primeira ação concreta entre a Secult e a Unilab desde que foi assinado o termo de cooperação técnica entre essas duas instituições. O que reflete o esforço da Secult, e de seus parceiros, em ampliar ações no interior do Estado que fortaleçam o pensamento e a cultura”, disse.

Em clima de roda de conversa, conferência privilegia a polifonia em torno do debate sobre a interculturalidade em arte e educação.

Em clima de roda de conversa, conferência privilegia a polifonia em debate sobre a interculturalidade.

Durante cinco dias a Semana da África, em sua terceira edição, trouxe para o centro do debate contemporâneo uma multiplicidade de temas referentes às questões africanas e da diáspora, a fim de propor um diálogo mais equitativo entre essas duas margens do Atlântico.

Em seu discurso de agradecimento, o estudante guineense e bacharelando em Humanidades, Tedse da Gama, que também integrou a comissão organizadora do evento, falou sobre os desafios e tensionamentos atuais. “A África ainda enfrenta diversas clivagens em quase todo seu circuito. Por isso, é importante criarmos o diário de retorno à terra natal, a fim de continuarmos a luta começada pelos nossos gloriosos combatentes, Kwame Nkrumah, Agostinho Neto, Amílcar Cabral, Samora Moises Machel, Nelson Mandela, Léopold Sédar Senghor e entre outros. Afinal, para projetar a luz do almejado desenvolvimento é necessária uma ação coletiva que perpassa pela perseverança”, ressaltou.

Participantes da Conferência de Encerramento

Emyle Daltro: doutora em Arte contemporânea pela Universidade de Brasília (UnB), investiga modos de conexão entre diferentes materialidades/socialidades e as possibilidades de movimento, composição e aprendizagem que surgem com essas relações, acompanhadas em proposições artísticas e educacionais.

Trindade Gomes: estudante da Unilab e percursionista e dançarino. Veio de uma família de músicos tradicionais, aprendeu a tocar e dançar com sete anos de idade com seus pais, irmão e irmãs. A primeira fase da iniciação em música e dança foi realizada com seu avô que foi seu mestre. Começou a conhecer os segredos do DJEMBÉ na aldeia de Biombo, onde foi educado, lá aprendia histórias e músicas.

Patrícia Matos: pedagoga que, com seu canto, encanta contando histórias de seus ancestrais. Especialista de Planejamento e Gestão Educacional, assessora pedagógica da Coordenadoria de Igualdade Racial de Fortaleza. Escritora de Literatura Infanto-Juvenil e pesquisadora do Núcleo de Africanidades Cearenses – Nace/UFC.

Cláudia Pires: bailarina e educadora. Licenciada em Pedagogia e Especialista em Arte-Educação, tem uma trajetória marcada pela passagem por diferentes companhias de dança da cidade bem como pela atuação na docência em dança nos diversos espaços formativos de Fortaleza. Dirigiu o equipamento cultural Vila das Artes, escola de formação em artes da Prefeitura de Fortaleza, entre 2013 e 2016. De 2003 à 2010 foi curadora e diretora artística do programa Circuladança da Bienal Internacional de Dança do Ceará.

Rubéns Lopes: artista, professor e pesquisador em dança formado pelo Curso Técnico em Dança do Ceará. Dançou na Cia dos Pés Grandes, na Cia de Dança Janne Ruth e na Decidedly Jazz Danceworks (Calgary/Canadá). Atualmente é diretor da Cia Anagrama (Fortaleza) e também graduando de Licenciatura em Dança na Universidade Federal do Ceará. Na área social Rubéns constrói o Movimento de Juventude Negra Kalunga e o Coletivo CREWolos.

Emerson Déo Cardoso: diretor e roteirista de cinema. Realizou, em 2004, Level Orange, seu primeiro curta-metragem em película 16mm como exercício de mestrado em Belas Artes na Universidade de Ohio, Estados Unidos. Em 2013, após realizar documentários ligados à questões étnico-raciais e ambientais, volta à ficção com o curta Cappuccino com Canela, que foi homenageado com uma mostra especial no 13º Nóia: Festival Brasileiro de Cinema Universitário.

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