Educação no campo e economia marcam manhã do II Festival das Culturas da Unilab, no Ceará

De pé, o cantador Moisés de Brito, com quase 90 anos, mostra sua arte ao público. Foto: Assecom/Unilab.

Partilha de vivências e soluções para a educação no campo e criação de novas cadeias produtivas. Assim foi a manhã do II Festival das Culturas da Unilab, no Campus da Liberdade, em Redenção/CE, com as mesas “Artes da Terra: Economias do Território” e “Artes da Terra: Memória e Saberes da Educação e Cultura no Campo”.
O momento contou com a mediação da professora Clébia Freitas, do Instituto de Desenvolvimento Rural (IDR), e coordenadora da Incubadora Tecnológica de Economia Solidária (Intesol), e a participação de vários atores sociais da região do Maciço de Baturité, apresentando seus saberes e fazeres.

Clébia sublinhou o papel destacado que as memórias e saberes ocupam na educação no campo, lembrando ainda que o curso de Agronomia da Unilab, bastante voltado para a prática, busca relacionar culturas ambientais e economia.

O cantador Moisés de Brito, de quase 90 anos, driblou as dores da Chikungunya e emocionou a plateia com a arte a que se dedica desde 1958: a cantoria. “Eu gosto muito da natureza e de Deus”, disse, antes de recitar versos sobre Cristo, política, alcoolismo, entre outros temas.

Diretor da ONG Sementes das Artes, Jofran Fonteles contou que trabalha como trabalha com educação, cidadania e formação por meio das artes, ações ambientais, cultura e formação. A ONG desenvolve atividades com percussão ambiental, bandas com material reciclado, e os participantes dos projetos já se apresentaram em outros países da América Latina, bem como Europa e África. Jofran realizou com o auditório uma vivência, com exercícios de respiração e relaxamento que ele costuma fazer nas comunidades em que atua.

O técnico ambiental e radialista Willames Arruda faz parte do Instituto Pedro e Raquel Alves (Ipra), que fica no município de Capistrano e tem como objetivo preservar a história e a memória locais. Willames produz e apresenta o programa de rádio Raízes do Sertão, veiculado pela 94 FM de Baturité, da Fundação São Miguel.

Já o agricultor Daniel Oliveira, do Assentamento Santa Helena, relembrou os dez anos em que trabalhou cultivando flores para um patrão. Agora, ele e as outras nove famílias do assentamento – que fica a 6 km de Redenção – possuem uma floricultura. Animado e apaixonado pelo que faz, ele promete contar tudo sobre rosas. “Vocês sabiam que as rosas têm estresse? Sim, isso acontece nos meses de maio a julho, quando elas perdem as folhas”, explica.

Agricultor Daniel Oliveira, que produz rosas no Assentamento Santa Helena, a 6 km de Redenção. Foto: Assecom/Unilab.

Paulo, Franco, Josy e Rodrigo conversaram entusiasmados sobre o trabalho desenvolvido na Fazenda Aruanan, com resina de cajueiro. A ideia é fazer com que os agricultores tenham renda fora dos três meses de safra do caju. “A resina é uma opção para continuar a produção além dos meses de colheita”, ressaltaram.

“Podemos criar uma nova cadeia produtiva. No Oriente Médio, 35 milhões de pessoas vivem da produção de resina parecida com a do caju”, explica Franco, acrescentando que a resina de caju é considerada a melhor cola química, além de poder ser utilizada como emulsificante, espessante, conservante e estabilizante.

A produção da resina passa pela extração do cajueiro, transformando-a em mel; depois há o processo de granulação e chega-se à goma do cajueiro.

“A goma não é o fim, é o meio. Vai ser produzida para formar novas cadeias para que o agricultor ganhe dinheiro o ano todo. Queremos que a goma seja uma moeda social para beneficiar o pequeno agricultor e já estamos com um projeto no Banco do Nordeste (BNB)”, aponta Clébia Freitas.

Dinâmica sobre união e poder da coletividade, ao final dos debates. Foto: Assecom/Unilab.

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