Programação da VII Semana da África encerra-se nesta sexta (29)

Dando continuidade à programação da VII Semana da África, realizada no Campus dos Malês/BA, na manhã da última terça-feira (26), a live Diálogos Latitudes Africanas/Unilab abordou o tema: “África no contexto de pandemia e pós-pandemia: que lições a tirar para a consolidação da paz”.

A discussão foi enriquecida pelos palestrantes: Detoubab Ndiaye, jornalista, doutor em Sociologia e docente da Universidade do Estado da Bahia (UNEB, Brasil/Senegal); Eurídice Monteiro, sócio-politóloga, doutora pela Universidade de Coimbra, presidente da Associação Internacional de Ciências Sociais e Humanas em Língua Portuguesa e professora de Ciências Políticas na Universidade de Cabo Verde; e Michel Feaugain, doutor em Civilização da Espanha Contemporânea, professor-pesquisador e chefe do departamento LEA (Foreign Languages Applied) da Universidade Católica de Lille.

Sob a mediação de Tamilton Teixeira, sociólogo e mestrando em Sociologia no Instituto Universitário de Lisboa, a conversa foi dividida em três momentos: a participação dos convidados, com suas ideias; a historiografia e participação da África no continente e mapa global; e a apresentação da atual situação sanitária, no comércio e na política, com destaque na participação e evolução da juventude nas ações de desenvolvimento diante da nação africana.

Para a sócio-politóloga Eurídice Monteiro, a pandemia que se alastrou em esfera global em tão pouco tempo foi tratada de modo a causar medo nos povos de vários continentes. Para ela, a “África não foi muito afetada por essa pandemia em termos numéricos. Precisamos pensar nos desafios que ela coloca e nos desafios pós-pandemia. O continente africano não viveu esse momento de pânico e medo, ao contrário de outros países. Há preocupações que são muito mais acentuadas, de impactos maiores na vida do povo africano”, esclareceu.

Na relação pandemia x paz, o professor Michel Feaugain apresentou a paz no contexto pandêmico como “um conceito muito importante. Os africanos não sofrem apenas dessa pandemia; sofrem geralmente de uma ausência de visibilidade. Não podemos falar de paz se não pudermos falar nossa língua. Nós vivemos constantemente em guerra para que nos entendam. O conceito de paz tem que ir além da crise sanitária que estamos atravessando, já que há um conflito. A guerra não é exclusivamente ligada à pandemia”, explicou.

O jornalista Detoubab Ndiaye relacionou a ação do coronavírus na África aos demais continentes. Para ele, na África o povo foi atingido de forma diferente, como previam os especialistas. Apesar das várias deficiências estruturais, sanitárias e sócio-econômicas, o jornalista destacou a promoção da prevenção realizada pelos dirigentes responsáveis, além de outros fatores que colaboraram para a contenção da pandemia. Entre os fatores, está o fato de “ser um continente menos globalizado; das fronteiras e meios de comunicação não serem iguais aos dos outros países; de ter incidência de muitos outros vírus e pandemias (Ebola, HIV, Malária e outros); e ser o continente jovem do planeta”, descreveu Detoubab.

Em contrapartida, a pandemia promoveu a proatividade da população e instituições parceiras, com a solidariedade dos povos internos para suprir as necessidades ocasionadas pela falta de insumos no combate ao vírus. Detoubab destacou, ainda, que a paz está dentro do continente africano, no sentido de tentar resolver os problemas econômicos e políticos em conjunto e internamente, já que a geração jovem está se conscientizando e “não quer ser mais cabresto”, explicou.

O momento reflexivo trouxe a leitura e análise de poemas africanos, a exemplo de “Africanizando”, de Morgado Mbalate, lido por Aneximandra da Silva – escritora do grupo Firkidja di no Kampada (Org.), do Campus dos Malês.

Diante dos questionamentos dos participantes sobre as temáticas “Dimensão de gênero na pandemia” e “Isolamento no impacto do comércio africano”, Eurídice Monteiro fez uma relação entre elas. Para ela, o impacto de gênero da pandemia na mulher africana foi diferenciado em relação às mulheres de outros continentes, considerando que a maioria das africanas atuam no mercado informal, promovendo a economia de subsistência. “Temos que pensar que as mulheres vão sentir muito com essa pandemia. Mas as africanas, sobretudo na questão do isolamento social, estão colocando um limite na própria capacidade enquanto agentes e atores da economia informal, principalmente aquelas que não têm proteção do Estado”, esclareceu Eurídice.

Angola em tempos de Covid-19

Ainda na terça-feira (26) à tarde, foi realizada a live “Angola em tempos de Covid-19 – a memória da resistência e os desafios das políticas públicas”, com o estudante Dumilde Virgílio. Em sua fala, Dumilde chamou a atenção para uma série de problematizações ao se pensar no papel dos Estados face ao combate à Covid-19, em particular, de como os Estados africanos têm respondido.

O estudante, graduando em Humanidades e membro do grupo de pesquisa Tumoxi Firkidja, analisou como o governo lida com a crise sanitária, pensando a partir dos três decretos, por parte do executivo angolano, do Estado de emergência, e nos desafios das políticas públicas que Angola enfrenta, com impactos sociais resultantes de uma série de fatores históricos, políticos e econômicos.

A VII Semana da África ocorre em 2020 com ações online até esta sexta-feira (29), com o tema “África e Diáspora: pensando na consolidação da paz na perspectiva africana”. O evento é promovido pela Associação de Estudantes Africanos e Amigos de África (ASEA), em parceria com coletivos e grupos de pesquisas e extensão do Campus dos Malês e apoio da Pró-reitoria de Extensão, Arte e Cultura (Proex/Unilab).

Confira a PROGRAMAÇÃO!

Outras informações pelo Facebook da ASEA.

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