Sarau Poética da Macumba ocorre sábado (21) no YouTube

No próximo sábado (21), às 17h, Latitudes Africanas organiza o Sarau Poética da Macumba, que será transmitido em seu canal do YouTube.

O Sarau Poética da Macumba é uma atividade artístico-cultural pan-africana e internacional que visa proporcionar reflexões em torno do Mês da Consciência Negra. O objetivo é receber artistas e poetas negros/as do Brasil, Colômbia, Guiné-Bissau, México e República Democrática do Congo. Será mediado por Cicí Andrade, cantautora, estudante de Antropologia em Unila, cria de Saraus da Zona Sul de SP, e que desenvolve sua arte de maneira independente, e por Bas´Ilele Malomalo, natural da RDCongo, filósofo, poeta e coordenador de Latitudes Africanas/Unilab.

Entre os convidados, conta-se com a presença de Chay C., músico compositor, produtor afromexicano do estado de Oaxaca, membro e fundador do grupo “Aguaje Ensamble”, projeto que busca dar visibilidade ao povo afromexicano. Jônatas Petróleo, sambista paulista, ativista sociocultural e professor de música. Alicia Reyes, comunicadora e cantautora colombiana, integrante do grupo musical Majagua Ensamble; mestra em Estudos Latino-americanos, realizadora radial e apaixonada pelas músicas do pacífico e caribe colombiano. Luan Charles, trompetista, arranjador, compositor e poeta, um dos fundadores da Banda Nova Malandragem e do Sarau Força Bruta, que acontece na Ocupação Mateus Santos, zona leste de São Paulo. É também componente de outros “aquilombamentos” culturais como Banda Aldeia e Coletivo Legítima Defesa. Jade Lôbo, estudante de Harvard Scholarship Student at Afro-Latin American Research Institute, doutoranda em Antropologia Social na UFSC. Filipe Buba N’hada, poeta, músico e compositor guineense, graduado em Humanidades pela Unilab e mestrando na Universidade Estadual da Bahia. Confira as informações de todos os convidados aqui.

O evento conta com o apoio técnico dos integrantes do Grupo de pesquisa Grupo de Pesquisa África-Brasil/Unilab/CNPq e Projeto Latitudes Africanas e Mídias Alternativas/Proex/Unilab e de Júlio Cesar Cirilo (pesquisador associado), Isabele Santos (estudante da Unilab e bolsista do projeto de extensão) e Israel Mawete (estudante, pesquisador do grupo e voluntário do projeto de extensão).

Sobre a poética da macumba

Engelbert Mveng, filósofo e historiador camaronês, no set texto “Problematique d´une estétique negro-africaine” escreve: “Por poética entendemos as leis da criatividade estética negro-africana, por hermenêutica, as regras da interpretação da obra estética […]. Considero a obra de arte negro-africana na sua concepção mais global. Ela é essencialmente linguagem, isto é, expressão de nossa personalidade”.

A macumba é uma palavra que faz parte das africanidades e, nos trabalhos de Basilele Malomalo o termo é usado como sinônimo da cultura negra, culturas produzidas pelos africanos e seus descendentes ao longo da história. “Como muitas palavras africanas, a macumba foi enfeitiçada negativamente pelo pensamento único eurocêntrico, por isso, os negros lutam para libertá-la do ‘feitiço do mal’ do preconceito e do racismo para retribuí-la ao seu verdadeiro significado, a sua força mágica do ‘feitiço do bem’”, afirma Basilele Malomalo.

Malomalo entende por africanidades como culturas inventadas pelos africanos e seus descendentes espalhados pelo mundo e a macumba é uma, entre tantas outras, de suas manifestações epistemológicas, históricas, políticas, estéticas. Nesse sentido, a macumba é um patrimônio da cultura negra, e interessa em muito, o autor inspirando-se em Muniz Sodré, o seu lado da sedução e da magia, que a faz rebelde perante a lógica instrumental e racionalista ocidental.

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