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Unilab articula parcerias com Iphan para Serra do Evaristo

Por Equipe de Comunicação Unilab
Data de publicação  09/09/2011, 13:49
Postagem Atualizada há 14 anos
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O reitor Paulo Speller e uma equipe de professores e técnicos da Unilab estiveram domingo, 28, na comunidade da Serra do Evaristo, no Maciço de Baturité, para uma manhã de festa, com único objetivo: celebrar a implementação do projeto Ponto de Cultura na comunidade quilombola. Além de convidados, a celebração contou com a presença do secretário de Cultura do Estado do Ceará, Francisco Pinheiro, e representantes do Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional – Iphan, e da Comunidade Kolping da Serra do Evaristo.

As dançadeiras puxam as canções para São Gonçalo

A capela da comunidade é o centro do Ponto de Cultura

Reitor dá entrevista para documentário da TV Pirambu

A comemoração ocorreu no entorno da capela da comunidade. A festividade teve início às 9 horas, com a Dança de São Gonçalo, santo que recebe mais promessas da localidade, com diferentes pedidos de graça. Ao som de instrumentos musicais populares, é dançada por mulheres de diferentes idades, carinhosamente chamadas de ‘dançadeiras”. A imagem de São Gonçalo é reverenciada a cada movimento em roda, com os homens tocando os instrumentos e dando o ritmo, e as mulheres em coreografias do chamado arrasta-pé sagrado.

Do alto de um terraço, na parte superior da capela, uma vista privilegiada para a paisagem do sertão: as cidades de Aracoiaba, Capistrano e a imponente formação rochosa Pedra Aguda, em primeiro plano. De acordo com o professor João Batista Lira de Assis, que trabalha há mais de 20 anos na comunidade, pela elevada altitude, com dificuldade de acesso, podem ter motivado os povos da etnia Aratus – que teriam habitado a região entre 700 e 1.500 anos atrás -, a elegerem a área como cemitério indígena. Há uma hipótese de que os negros africanos, levados para a região como escravos, tenham buscado refúgio no Evaristo, pela dificuldade de acesso e por ser um mirante para visualização de possíveis abordagens dos caçadores de escravos fugidos.

Nos intervalos de uma dança e outra, o reitor da Unilab e equipe conheceram a casa da memória da comunidade quilombola, em sala conjugada com a capela. Ela reúne algumas urnas funerárias, comumente chamadas de potes pelos moradores, encontradas no entorno da capela que teria sido um cemitério indígena. Há ainda objetos e traços da identidade das pessoas e do lugar, como ex-votos, cocares, peças de artesanato e bonecos representando a história do Evaristo.

Homens nos instrumentos e mulheres na dança

Foi neste ambiente que o professor Paulo Speller e a professora Elza Braga conversaram com a arqueóloga Verônica Viana, do Iphan. Eles ratificaram a viabilidade da parceria em projetos do Instituto e da Universidade, focados na comunidade quilombola residente na Serra do Evaristo. “A Unilab pode articular projetos em parceria com outras universidades do Piauí, de Pernambuco visando a trabalhos futuros na região. Não temos uma universidade no Ceará que ofereça curso na área da Arqueologia. A Unilab pode oferecer este curso na região do Maciço”, reforçou o reitor. Durante a manhã, Paulo Speller concedeu entrevista para o Instituto Lamparina, que produz um documentário sobre a vida na comunidade, do Ponto de Cultura às urnas funerárias.


Secretário Pinheiro, da Secult, conversa com professora Elza Braga


Verônica, do Iphan, conversa com prof. Paulo Speller e Profª Elza

A professora Elza lembrou que o projeto da Unilab consiste em realizar vídeos e cartilhas sobre a comunidade, envolvendo principalmente os jovens da região num processo participativo. Ela e o professor Speller trataram do projeto com o secretário Francisco Pinheiro que elogiou a ideia e colocou a Secult à disposição para futuros apoios.

Ao falar para os presentes, o professor Pinheiro elogiou o trabalho da comunidade e espera que o Ponto de Cultura da Serra do Evaristo seja um dos mais importantes do Ceará. “Recuperando e mantendo a memória viva, com convivência de mestres e jovens, fica a certeza de que a tradição não desaparecerá. Temos aqui o bom exemplo de participação da juventude que começa a se interessar. Que venham outros jovens e se juntem ao projeto Ponto de Cultura”, disse o secretário.

Pesquisadora conhecida na comunidade, a professora gaúcha Maria do Carmo Tedesco, da equipe da Unilab, destacou a importância da chegada dos índios à região e o que aconteceu com eles. Sobre a origem da comunidade Maria do Carmo ressaltou que a vila dos indígenas sobreviveu até 01830. Como era muito pobre e vivia sob forte impacto da decadência, a vila foi sendo esquecida. Anos depois, a realidade está mudando para melhor, com boas perspectivas de futuro.

No início da tarde, a equipe da Unilab foi conhecer uma urna funerária encontrada pelo morador Luís Gonzaga de Castro, em perfeito estado de conservação. Em 2004, ele escavava a terra para construção de uma cisterna de placas, quando se deparou com a urna, a pouco mais de um metro de profundidade. Segundo Verônica Viana, trata-se de uma urna funerária e não utilitária. Luís não soube precisar se havia algo no interior da urna, mas, bem humorado, disse que “se tivesse uma botija, gastaria o dinheiro em uma farra com os amigos”.

Ao anunciar a fala do professor Paulo Speller, antes da apresentação de capoeira, Batista de Assis destacou a presença de um reitor de universidade federal na comunidade. O reitor agradeceu a hospitalidade e a acolhida na Serra do Evaristo e ressaltou que a Unilab já faz parte da história do Maciço de Baturité. “Estamos aqui com professores e técnicos para demonstrar nosso interesse de cooperação com todos os municípios do Maciço. Conversei com o secretário de Cultura do Ceará, professor Pinheiro, e com a representante do Iphan, para futuras parcerias, como a criação de um curso de arqueologia na Unilab. Queremos continuar conversando com as lideranças da comunidade e nos colocamos à disposição da Serra do Evaristo”, finalizou.

De acordo com divulgação da Secult, o Maciço do Baturité, região historicamente cultural, foi contemplada com quatro Pontos de Cultura que trabalham as artes integradas e a preservação da história dos quilombolas. Além da Comunidade da Serra do Evaristo, os outros Pontos de Cultura selecionados são: Ponto de Acesso à Arte Cultura e Cidadania; Sindicato dos Servidores Públicos de Ocara; e Associação Meditante de Guritiba.

Secretário Pinheiro elogiou postura da comunidade para ganhar Ponto de Cultura

 

Paulo Speller próximo à urna funenária encontrada em escavação de cisterna

 

 

O grupo de capoeira da comunidade encerrou a programação

 

Equipe da Unilab que visitou a Comunidade da Serra do Evaristo

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