Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira
Universidade Brasileira alinhada à integração com os países membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)

Unilab celebra o Dia do Povo Cigano com debate reflexivo e momento cultural

Por Equipe de Comunicação Unilab
Data de publicação  29/05/2026, 13:42
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Na última  quinta-feira, dia 28 de maio a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) realizou uma programação especial em alusão ao Dia nacional do Povo Cigano. Celebrada no dia 24 de maio, a data é dedicada ao reconhecimento da história, cultura e direitos dessa população. O evento reuniu professores, estudantes, servidores, representantes de movimentos sociais e membros da comunidade externa em um momento de valorização da diversidade e promoção do diálogo intercultural. Estiveram presentes neste momento especial o reitor da Unilab, Roque Albuquerque;  o  Presidente da Rede Brasileira dos Povos Ciganos (RBPC), Rogério Ribeiro Nascimento e o Secretário Nacional da SBPC, Cosme Costa Lima.

A programação contou com apresentações culturais, palestras e um momento de confraternização, destacando a riqueza das tradições ciganas, bem como os desafios ainda enfrentados no que diz respeito à inclusão social, à luta por visibilidade e reconhecimento, bem como o combate ao preconceito. O reitor celebrou a presença da comunidade acadêmica e de lideranças ciganas, destacando a importância da representatividade e da valorização cultural. O discurso também enfatizou a resistência e a resiliência do povo cigano, a necessidade de políticas públicas e o rompimento com a invisibilidade histórica.

“Questionam-me por que só agora o professor Roque quer ser visto como cigano? E eu sempre respondo que a Unilab nos ensina e nos encoraja cotidianamente a assumirmos nossa identidade, a valorizarmos nossas origens, a entender e respeitar aos outros, como a si mesmo. Então, diante da diversidade cultural, étnica, política, de valores, comportamentos e conhecimentos que essa universidade nos proporciona, eu penso que cabe perguntar: por que os colonizadores ainda insistem em nos manter invisíveis? Por que querem nos impedir de afirmar quem somos e de deixar de viver como sempre fomos obrigados a viver?”

Nesta reflexão, Roque destacou que nenhum povo deve ser invisibilizado e que o povo cigano — o qual ele afirma, com orgulho, convicção e firmeza como sendo o seu povo —, mesmo diante de toda perseguição e estigma, constitui parte significativa da história da humanidade. Ressaltou ainda que acredita e luta cada vez mais por esse reconhecimento, bem como contra a invisibilidade à qual os ciganos foram submetidos ao longo do tempo.

Por fim, afirmou ter encontrado um ambiente maduro para a diversidade, no qual compreendeu a importância de reconhecer o povo cigano como um grupo étnico-cultural e territorial. Declarou também que busca esse reconhecimento e que ninguém mais o impediria de afirmar sua identidade e defender quem é. Destacou que diversidade, reconhecimento e respeito constituem suas principais bandeiras de luta, posicionando-se como militante da igualdade, da equidade e da valorização dos povos étnicos.

Rogério Ribeiro Nascimento, Liderança Nacional Cigana, destacou a atuação da instituição em diversos estados do Brasil e em países da Europa. Relatou, também, o trabalho em defesa dos direitos humanos, combate à violência e à invisibilidade do povo cigano, além das dificuldades enfrentadas, como preconceito, analfabetismo e falta de políticas públicas adequadas.

“Essa bandeira cigana, na qual o azul representa o céu e a espiritualidade e o verde simboliza a natureza e os campos, traz ao centro uma roda de carroça, que significa o caminho e a estrada, o nosso nomandismo. Essa bandeira foi instituída em 1971, durante o Congresso realizado em Londres. Apesar dos avanços ao longo de mais de 20 anos, ainda celebramos essa conquista de forma um tanto tímida”

O discurso também abordou episódios de violência e injustiça contra ciganos, a luta por reconhecimento institucional e inclusão em políticas para povos tradicionais, bem como iniciativas da Rede para organização comunitária e acesso a direitos. Por fim, ressaltou a importância da união, da preservação cultural e do respeito à diversidade, além de compartilhar experiências pessoais de discriminação e superação.

Rogério destacou ainda a importância da Unilab para a visibilidade dos povos ciganos e enfatizou que a universidade tanto pode ser referência para outras Instituições de Ensino Superior no que diz respeito a abertura de vagas específicas e de atividades culturais como esta, quanto para uma maior visibilidade e reconhecimento social dos povos tradicionais de forma geral.

A iniciativa também reforça o papel da universidade pública na promoção de ações educativas e culturais que dialoguem com a sociedade, incentivando o respeito às diferenças e o reconhecimento das múltiplas identidades que compõem o Brasil.

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