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Debate sobre ética abriu Fantasmático Centro de Estudos Interdisciplinares

Data de publicação  18/07/2011, 00:00
Postagem Atualizada há 10 anos
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O auditório da Unilab ficou lotado de estudantes durante o evento inaugural sobre ética “O Fantasmático Centro de Estudos Interdisciplinares”, que aconteceu no dia 13 de julho, às 14 horas, no Campus da Liberdade, em Redenção. No encontro foram apresentados três temas: “Ética e Filosofia hoje”, “A Ética nas Relações de Troca”, e “A Ética da Escravidão”. Antes, houve a exibição de um vídeo e abertura feita pelo professor Ronie Alexsandro Teles da Silveira, do curso de Licenciatura em Ciência da Natureza e Matemática.

Ao abrir as atividades do Centro de Estudos Fantasmático, o professor Ronie falou da necessidade de se estabelecer novas relações de trabalho que sejam alimentadas pelo prazer e também pelo ócio criativo. Em seguida, iniciou sua abordagem com o tema “Ética e Filosofia hoje”, passando a falar sobre a presença da ética na cultura atual, que ele dividiu em: Bioética; Ética em pesquisas científicas (Comitês de pesquisas); Ética animal; Ética Corporativa e Educação Ética (disciplina de formação ética).

Ao lançar para a plateia as questões: ‘Por que a ética tem se tornado tão importantes nos dias de hoje?’; e ‘O que a Filosofia pode nos dizer sobre ética hoje?’, o professor Ronie apresentou as diferenças entre a ética no mundo antigo, na modernidade e no atual mundo contemporâneo.

Ele explicou que na Grécia antiga havia uma identidade ética entre a religião e a política, fazendo com que a política e a ética fossem sagrados. Uma das características da ética no mundo antigo era o princípio de que não há vida humana fora da vida social, expresso pela frase de Aristóteles: “O Homem é um animal político”. Nesse contexto, a ética está expressa no conteúdo da religião e da cidade, ao lado da tese de que as questões da ética não são um apelo à boa vontade do homem.

Ao discorrer sobre a Ética na modernidade, o professor Ronie afirmou que em função da intensificação do individualismo promovida pelo cristianismo, o homem passa a valer como um ser autônomo. Falou da influência da reforma protestante e também citou frases de Santo Agostinho e Descartes, respectivamente: “Procurar Deus no mais íntimo de mim mesmo” e “Penso logo existo”.  Depois, abordou as teorias éticas para direcionar as ações: o Utilitarismo, onde o indivíduo vai agir bem porque pensa que pode ser punido; e a Ética Kantiana, baseada nas boas intenções. Nessa ótica, a ética se dá através da razão, assim, a moralidade e a justiça são conseqüências da racionalidade.

Já no mundo contemporâneo, a característica é a falência da racionalidade como forma de fundamentar uma ética universal, levando a uma desilusão com esta enquanto meio para se obter um mundo ético.  Há também um aprofundamento do individualismo, onde cada indivíduo vale por si mesmo, sem a necessidade de valores gerais, vivendo a vida dentro de uma perspectiva curta e imediatista.

Segundo Ronie Alexsandro, a ética tornou-se um problema culturalmente importante e o desafio principal da filosofia é perder a pretensão de fundamentá-la racionalmente, abandonando uma suposta autoridade ética e auxiliando na defesa e na ampliação da liberdade, o único valor que pode levar à ética.

O segundo tema, “A Ética nas Relações de Troca”, foi abordado pelo professor do curso de  Administração Pública, Francisco José da Costa (Franzé), que iniciou sua apresentação falando do conceito de ética como instrumento para tornar melhor uma relação de troca, seja ela qual for. Ele explicou que no modelo convencional uma organização oferece um produto e uma demanda o adquire. Assim, no setor público, a relação é entre a organização pública e o usuário; no setor social, entre as organizações sociais e os atendidos; enquanto no setor empresarial, a troca se dá entre a empresa e o cliente.

Neste contexto, os agentes do sistema de troca são as organizações, Estado e pessoas,  que são ao mesmo tempo, ofertantes e demandantes, oferecendo produtos, ideias e serviços, em troca de dinheiro, fidelidade e esforço, tendo conseqüências diversas como satisfação, lucros, bem-estar e  efeitos adversos, a exemplo da poluição do meio ambiente.

Ao falar sobre as considerações filosóficas que influem no sistema de trocas, o professor Franzé citou o pensamento ambientalista de Hans Jonas, com seu apelo pela responsabilidade; e também o pensamento de Peter Singer e a lógica do interesse, onde a ética da ação e da interação é baseada no respeito e no atendimento aos interesses diversos, do que quer que seja.

Finalizando, o professor Franzé alertou para a necessidade de se pensar sobre como cada agente tem se comportado nas diferentes modalidades de trocas atualmente existentes, além de refletir sobre o aperfeiçoamento ético nesta relação e em que medida os futuros profissionais poderão dar sua colaboração. Para ele, é preciso que haja um entendimento do equilíbrio do sistema de trocas, para que ninguém prejudique ninguém nesta relação.

Por fim, a terceira temática, “A Ética da Escravidão”, teve apresentação do professor Manoel de Sousa e Silva, do curso de Licenciatura em Ciência da Natureza e Matemática. Na abordagem, ele fez os questionamentos: como o sujeito (o homem livre) enxerga seu objeto (o escravo) na situação escravista? Como o objeto (o escravo) se enxerga a si e ao(s) outro(s) na mesma situação?

Durante sua apresentação, o professor Manoel abordou uma das obras de Aristóteles, denominada “Economia Doméstica”, um guia para os cidadãos livres, o qual, em seu capítulo V falava acerca das propriedades e dos bens, incluindo os escravos. Ao dar dicas para os senhores, o pensador pregava um equilíbrio entre trabalho, alimento e castigo, para que os escravos não se tornassem insolentes nem sofressem crueldades.

Em seguida, leu e analisou trechos de dois textos. O primeiro, um sermão do Pe. Antônio Vieira – pensador do Século XVII – intitulado 27º Santíssimo Coração Exposto, proferido pelo intelectual por volta de 1663. Nele, Vieira falava aos escravos dizendo que eles só eram escravos pela metade, pois, o domínio do senhor só se dava no corpo e não na alma. Sob essa sua ótica particular, o escravo era metade livre. O segundo, um romance publicado em 1884, denominado “A Afilhada”, de Manoel de Oliveira Paiva. O texto, mais profano, fala sobre o código de conduta sob o ponto de vista de uma escrava alforriada, e dá margem a várias reflexões sobre o conceito de ética.

Ao final, os professores abriram o debate para os estudantes, que aproveitaram para tirar dúvidas e fazer sus colocações sobre o tema.

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