Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira
Universidade Brasileira alinhada à integração com os países membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)

Campus dos Malês completa 12 anos nesta terça-feira (12/05)

Por Equipe de Comunicação Unilab
Data de publicação  12/05/2026, 08:11
Postagem Atualizada há 6 horas
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O campus dos Malês da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) – localizada em São Francisco do Conde (BA) – completa nesta terça-feira (12/05) 12 anos de existência, com atividades acadêmicas e formação de recursos humanos, no contexto de cooperação solidária entre os povos.

Ao longo desse período, formaram-se no campus baiano cerca de 1330 estudantes, distribuídos em 6 cursos de graduação, além de mais de 100 estudantes de Ensino a Distância. Na pós-graduação, 28 estudantes concluíram o mestrado em Estudos de Linguagens: Contextos Lusófonos Brasil-África.

Muitos dos egressos seguiram para a área acadêmica e hoje estão em diversos programas de pós-graduação. Alguns desses egressos lembram da trajetória pessoal e acadêmica no campus dos Malês, dos desafios enfrentados e da potência desse espaço de formação.

Cornélia Mendes

Celebrar com o coração cheio de gratidão os 12 anos do Campus dos Malês UNILAB é uma honra. Mais do que um espaço físico, o Campus dos Malês foi para mim um lugar de transformação, de encontros e de construção de sonhos. Foi ali que cheguei em 2019 com expectativas e incertezas, e de onde saí em 2024 com conhecimento, consciência e propósito.

Cada sala de aula, cada conversa, cada desafio vivido naquele campus ajudaram a moldar a minha trajetória acadêmica e pessoal. Foi um espaço onde aprendi não só conteúdos, mas também valores de diversidade, de resistência e de partilha entre povos irmãos da lusofonia.

Portanto, celebrar esses 12 anos do Campus é celebrar também a minha própria caminhada. É reconhecer o impacto profundo que esse lugar teve na pessoa que me tornei hoje. Então, que venham muitos mais anos de histórias, de lutas e de conquistas. O Campus dos Malês não é apenas parte do passado, ele é uma presença viva no meu presente e naquilo que ainda quero construir.

Luís Nhaslambé

A Unilab, especialmente o Campus dos Malês, teve um papel fundamental na minha trajetória acadêmica, profissional e pessoal. Foi nesse espaço que construí uma formação crítica e comprometida com as questões sociais, raciais e internacionais, além de fortalecer minha identidade e consciência política.

A experiência intercultural da Unilab ampliou minha visão de mundo e consolidou meu interesse por temas ligados ao desenvolvimento, à África e às relações Sul-Sul. Atualmente sou doutorando no Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). No doutorado, desenvolvo uma pesquisa intitulada “Socialismo Africano: uma releitura de Léopold Sédar Senghor a partir da ontologia da força vital”, buscando dialogar com perspectivas africanas de pensamento e filosofia.

Sou profundamente grato à Unilab e ao Campus dos Malês por terem sido pilares essenciais na minha formação e por continuarem inspirando minha caminhada acadêmica.

Sheila Gabriela da Silva

Quando soube da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, entendi que aquele era o lugar onde eu precisava estar. Eu cursava Pedagogia em outra universidade federal e ali vivi experiências raciais que nunca tinham atravessado meu corpo com tanta força. A universidade, que deveria acolher, também produz fraturas. Saí de lá com raiva e em ruptura com a branquitude. A Unilab surgiu como possibilidade de estudar e, ao mesmo tempo, sobreviver à lógica eurocêntrica da academia. E foi, em alguma medida, esse lugar de respiro. Mas não na dimensão que eu imaginei. O racismo não fica do lado de fora. Ele se reorganiza dentro das estruturas.

A Unilab nasceu como projeto político do movimento negro, como horizonte de transformação para o Brasil e para a diáspora africana. Ainda assim, carrega fissuras profundas. Produzimos pensamento crítico, tensionamos epistemologias hegemônicas e construímos caminhos coletivos. Ao mesmo tempo, enfrentamos estruturas que insistem em repetir desigualdades. A vivência de estudantes africanos e afro-brasileiros revela potência, diversidade e criação, mas também evidencia a permanência do racismo como força organizadora da vida institucional.

Eu sigo acreditando no projeto construído por intelectuais e movimentos negros no Brasil. Essa crença não ignora os conflitos. Ela se alimenta deles. A luta continua porque garantir o mínimo ainda exige disputa cotidiana. Hoje, sou Mestra em Estudos de Linguagem, no primeiro programa de pós-graduação do campus Malês, e doutoranda no Pós-Afro. Minha trajetória na Unilab não foi linear nem confortável. Ela moldou minha forma de ver o mundo e consolidou minha atuação como pesquisadora.

Caramó Seco

Como egresso desta distinta instituição do ensino superior do Brasil, cumpre-me o dever de endereçar as minhas sinceras congratulações ao campus dos Malês da Unilab pelos doze anos de concretização de projetos que têm honrado o ensino universitário não só no Brasil, mas pelo mundo inteiro. Uma instituição que viu-nos nascer pesquisadores. Claro, a excelência desta instituição deve-se graças ao compromisso árduo de cada um dos seus membros. Dou parabéns às professoras e aos professores que dedicam a boa parte das suas vidas à produção científica na Unilab, minhas mais profundas admirações a vocês. Gratidão aos técnicos e técnicas administrativas; aos trabalhadores e trabalhadoras terceirizados.

Seria desonestidade esquecer os colegas estudantes, parabéns pela resiliência, pela curiosidade intelectual e pela energia transformadora que trazem à Unilab. Em meio a desafios acadêmicos, incertezas políticas, políticas de assistência estudantil defasada e sucateada, continuam fortes e firmes. Convido os recém-chegados, ou seja, os calouros a contemplarem a cada momento na Unilab, ouçam uns e outros, permitam-se, a Unilab é um espaço para desbravar, é um espaço para desfrutar das amizades, pois ela proporcionou-nos amigos que já não chamamos de amigos, mas sim de irmãos. Que esta singela homenagem sirva não apenas como celebração, mas como renovação do compromisso coletivo com a universidade pública, laica e gratuita.

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