Unilab participa da construção da cartilha Guaiamuns e Gaiamunzeiros na Baía de Todos os Santos, lançada em março

A Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) – por meio de projetos de pesquisa e extensão – participou da construção da cartilha Guaiamuns e Gaiamunzeiros na Baía de Todos os Santos – Proposta das comunidades quilombolas pesqueiras de Santo Amaro e São Francisco do Conde para o Plano de Recuperação Local do guaiamum na região norte da Baía de Todos os Santos (Bahia, Brasil). Essa publicação foi lançada dia 9 de março, no quilombo da Cambuta (Santo Amaro-BA).

Elaborada em parceria com a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), o Conselho Pastoral dos Pescadores da Bahia (CPP) e o Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais da Bahia (MPP), a cartilha apresenta a cartografia dos territórios gaiamunzeiros das comunidades quilombolas de Cambuta, Acupe, São Braz e Dom João. Para isso, descreve as áreas de ocorrência do guaiamum nos manguezais de Santo Amaro e São Francisco do Conde; enfatiza a importância dessa modalidade de pesca nos modos de vida comunitário; e explica as formas de manejo e cuidado dos/as pescadores/as quilombolas nas paisagens gaiamunzeiras. Essa publicação também denuncia os impactos e conflitos socioambientais que têm determinado a perda dos habitats dos guaiamuns e a diminuição de sua população.
A cartilha apresenta, ainda, o Plano de Recuperação Local do Guaiamum, em resposta às normativas do Ministério do Meio Ambiente que definiram o guaiamum como espécie criticamente em perigo (Portaria nº 445/2014) e condicionaram a legalização de sua pesca à elaboração do referido Plano (Portaria Interministerial nº 38/2018).
Confira abaixo a cartilha:
“A cartilha com a cartografia gaiamunzeira é uma iniciativa pioneira no Brasil, tendo em vista a invisibilidade histórica desse tipo de pesca. É não apenas uma ferramenta para a defesa dos territórios pesqueiros e o pleno direito de um modo de vida ligado ao manguezal, mas um instrumento pedagógico de fortalecimento da identidade e dos territórios quilombolas na Baía de Todos os Santos, na Bahia e no Brasil”, afirma Rafael Buti, docente da Unilab e membro da equipe de Planejamento e Execução da cartilha.

As atividades foram iniciadas no ano de 2018 e executadas através de dois projetos de extensão da Unilab – Plano de Gestão Local do Guaiamum em Comunidades Pesqueiras Quilombolas de São Francisco do Conde e Santo Amaro, Recôncavo da Bahia (2021) e Marisqueiras, Caranguejeiros, Siririzeiros e Gaiamunzeiros: uma Nova Cartografia Social da pesca artesanal em comunidades quilombolas da foz do Rio Subaé (2023) – e, também, por meio de três projetos de pesquisa do IHLM, coordenados pelo professor Rafael Buti: Um contraponto do Mangue: território pesqueiro, petróleo, monocultura e justiça ambiental no Recôncavo da Bahia (2018); Modos de Viver e Habitar de Guaiamuns e Gaiamunzeros nas Paisagens de Manguezal em São Francisco do Conde (Recôncavo da Bahia) (2019); e Guaiamuns e Gaiamunzeiros em São Francisco do Conde (Recôncavo da Bahia): aspectos da pesca artesanal na cidade diante de um histórico de precarização do ecossistema manguezal (2020).

Participaram ativamente da iniciativa seis estudantes da Unilab dos cursos de Bacharelado de Humanidades e Ciências Sociais, alguns dentre os quais quilombolas e pescadores/as artesanais: Joselita Gonçalves dos Santos (BHU /Ciências Socias), Carla Bastos (BHU/Ciências Socias), Milson dos Santos Silva (BHU), Camila dos Santos Freitas (BHU), Nando Paulo Suma (BHU/Ciências Socias) e Núbia dos Santos Souza (BHU/Ciências Socias).

A Cartilha é também um desdobramento do projeto A ecologia política da pesca de crustáceos em manguezais no Nordeste brasileiro (2017-2024), executado pela Fundaj sob coordenação do professor Pedro Castelo Branco Silveira. A mobilização e assessoria para as atividades ficaram a encargo de Maria da Conceição Pereira e Maria José Pacheco, do CPP Bahia, instituição esta responsável pelo financiamento da publicação. O documento contou também com a colaboração do professor Thiago Mota Cardoso (UFAM) e da geógrafa Lilian Bulbarelli Parra (UDESC) nos processos de fotografia, cartografia e elaboração dos mapas.

O lançamento da cartilha ocorreu na residência de dona Maria Bispo dos Santos, liderança do quilombo da Cambuta. Estavam presentes gaiamunzeiros e pescadoras/es artesanais das comunidades proponentes da cartilha. Durante o evento, foi feita a leitura coletiva do material e definidas as formas de distribuição do documento por parte das comunidades, bem como os encaminhamentos para a continuidade dos trabalhos ligados à preservação do guaiamum.
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