“Esporte sem Barreiras” amplia debate sobre capacitismo, acessibilidade e inclusão no Maciço de Baturité

Relatos sobre capacitismo, dificuldades de acessibilidade, reabilitação e autonomia marcaram a mesa-redonda “Esporte sem Barreiras: acesso, adaptação e permanência no esporte”, realizada pela Pró-reitoria de Extensão, Arte, Cultura e Desporto (Proex), por meio da Seção de Desporto (Sedesp), da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab).
A atividade ocorreu no dia 28 de setembro, no Campus da Liberdade, e reuniu aproximadamente 83 estudantes de escolas da região, acompanhados por professores, além de estudantes da Unilab e profissionais de Educação Física. Participaram como convidados Hilmar Wutke, da Rede SARAH Fortaleza, Aline Martins e Ivanildo Tavares.
A mediação da mesa-redonda foi conduzida por Diana Maria Lopes. A abertura institucional contou com a participação de Maria Whildislane da Silva (Dylla), representando a Proex, e a ação foi coordenada por Felipe França, da Sedesp.
Ao longo da programação, foram discutidos temas relacionados à reabilitação, autonomia, acessibilidade, capacitismo e permanência das pessoas com deficiência no esporte. A mesa-redonda também abriu espaço para perguntas, relatos e troca de experiências entre convidados e público.
Capacitismo também aparece em situações cotidianas
Ao serem questionados sobre experiências de preconceito, Aline de Sousa e Ivanildo Tavares compartilharam situações vivenciadas em diferentes momentos de suas trajetórias.
Aline relatou episódios em que outras pessoas presumem que ela não seja capaz de realizar determinadas atividades, além de olhares e comportamentos relacionados à deficiência. Em sua fala, ponderou que parte dessas atitudes também está associada à falta de informação e à ausência de formação sobre deficiência e inclusão.
Entre as experiências compartilhadas, recordou uma situação em que precisou utilizar um ônibus sem condições adequadas de acessibilidade, enfrentando grandes dificuldades para acessar o veículo.
Já Ivanildo abordou experiências relacionadas tanto ao capacitismo quanto ao racismo. Ao falar sobre sua participação em academias, contou que algumas pessoas se aproximavam para parabenizá-lo ou incentivá-lo simplesmente por estar praticando exercícios físicos.
A discussão evidenciou que manifestações aparentemente positivas também podem reproduzir uma visão capacitista quando tratam como excepcional a presença de uma pessoa com deficiência em atividades comuns da vida cotidiana.
Os relatos mostraram ainda que as barreiras enfrentadas pelas pessoas com deficiência não se limitam à estrutura física dos espaços. Elas também aparecem em atitudes, expectativas e concepções sociais sobre aquilo que uma pessoa com deficiência pode ou não realizar.

Conhecimento que amplia percepções
A participação do professor Hilmar Wutke apresentou ao público aspectos da atuação da Rede SARAH de Hospitais de Reabilitação.
Durante a discussão, uma professora da rede pública de ensino relatou que, até aquele momento, possuía uma compreensão mais restrita sobre o público atendido pela instituição. Ela associava o trabalho principalmente às pessoas com deficiências congênitas ou adquiridas.
A apresentação ampliou essa percepção ao abordar processos de
reabilitação relacionados a diferentes condições, incluindo situações decorrentes de acidente vascular cerebral (AVC).
O episódio mostrou como a atividade também contribuiu para aproximar informações sobre deficiência e reabilitação de profissionais que atuam diretamente com estudantes e comunidades da região.
Representatividade e encontro de experiências
A participação da Escola Padre Anchieta, de Baturité, também proporcionou um dos momentos significativos da atividade.
Um representante da instituição, egresso da Unilab, destacou que, durante sua trajetória de graduação na Universidade, não teve contato com palestras ou mesas-redondas voltadas especificamente às discussões sobre deficiência, acessibilidade e inclusão.
A escola participou ainda com um estudante com deficiência, acompanhado por professores e cuidadores. Segundo os profissionais que o acompanhavam, uma das motivações para sua presença foi possibilitar o contato com outras pessoas com deficiência e com diferentes trajetórias de vida, proporcionando uma experiência de identificação e representatividade que ele ainda não havia vivenciado.
Após a mesa-redonda, convidados, professores, estudantes e acompanhantes participaram de um momento de conversa mais próximo, ampliando as trocas iniciadas durante a programação.
Esporte, inclusão e formação no interior
As discussões realizadas durante o encontro também buscaram ampliar a compreensão sobre o papel do esporte para além da dimensão competitiva, abordando suas relações com reabilitação, autonomia, convivência e participação social.
Ao promover a atividade no Maciço de Baturité, a SEDESP buscou ampliar, no interior do Ceará, espaços de formação e diálogo sobre deficiência, capacitismo, acessibilidade e esporte.
A experiência reforçou que a promoção da inclusão envolve não apenas adaptações físicas, mas também informação, formação e mudança de atitudes. O encontro também abriu possibilidades para novas ações e futuras articulações institucionais relacionadas à temática, inclusive com a Rede SARAH.
A mesa-redonda integra as iniciativas desenvolvidas pela SEDESP voltadas à formação, ao acesso ao esporte e ao fortalecimento da relação entre a UNILAB e a comunidade externa.

Crédito da imagens:
Abymael Lopes de Sousa.
Acervo: Sedesp/Proex.