Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira
Universidade Brasileira alinhada à integração com os países membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)

Metais maléficos são encontrados em alimentos, plantas e animais

Data de publicação  17/05/2011, 00:00
Postagem Atualizada há 10 anos
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Sem perceber, o brasileiro anda se alimentando de metal pesado, tratado pelos cientistas como elemento-traço. É o que revela uma pesquisa realizada pelo professor Francisco Nildo, da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab). “Para mim, é uma satisfação poder ter ajudado em uma pesquisa que possibilita aos brasileiros, melhor qualidade de vida, evitando doenças, e redução da poluição ambiental”, disse, satisfeito, o professor.

 

No Brasil, muitas ocorrências de contaminação de solos por elementos-traço (metal pesado), vinham sendo relatadas.  Segundo o estudo, realizado em 2005, publicado no livro “Impactos Ambientais causados pela Agricultura no Semiárido Brasileiro”, pela editora Embrapa Semiárido, no final de 2010, no qual um capítulo foi reservado para divulgação dos resultados dessa pesquisa, relata que existem casos preocupantes de exposição humana a elementos-traço. Como resultado foi encontrado nas rochas fosfatadas analisadas, teores preocupantes de cádmio, cobre, cromo, níquel, chumbo e zinco. A maioria desses são prejudiciais à saúde, principalmente quando a cadeia alimentar é exposta por quantidade excessiva.

 

Um dos exemplos citados no livro, a indústria química de pesticidas no Município de Paulínia, interior de São Paulo, que de um total de 181 pessoas estudadas, 144 – o que corresponde a cerca de 80% – apresentaram, pelo menos, um elemento-traço no sangue em concentração superior aos teores aceitáveis.

 

A contaminação do solo pelo uso de adubos fosfatados tornou-se uma preocupação em diversos países no mundo e vários trabalhos de pesquisa têm avaliado a presença de elementos-traço nesses insumos. Além dos adubos químicos e orgânicos, a água contaminada pode causar sérios impactos no ambiente, em especial em áreas agrícolas associados ao uso intensivo de fertilizantes e pesticidas.

 

Para a pesquisa, professor Nildo levou 15 anos para ser concluída, e foi realizada inicialmente no Rio Grande do Norte, depois, no Ceará, Minas Gerais, Estados Unidos e na volta ao Brasil, ainda passou pelo Piauí, em seguida retornou à cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte. A pesquisa contou com o apoio das universidades federais e estaduais dos estados e países envolvidos. O esforço foi grande, mas “é uma recompensa, como professor, ter dado um suporte que sirva para sociedade, de uma pesquisa que foi desenvolvida nas universidades, e que contribuiu para a criação de uma normativa, SDA nº. 27 que limita o uso indiscriminado desses fertilizantes no Brasil”, enfatizou o professor.

 

O livro revela ainda, que em um trabalho de monitoramento da qualidade da água subterrânea utilizada para irrigação na região do pólo fruticultor de Mossoró, RN, constatou que entre 81% e 100% das amostras dessa água apresentaram, respectivamente, teores de Cádmio (Cd) e Chumbo (Pb) acima dos limites máximos permitidos pela Resolução 357 (Brasil, 2005) para águas destinadas ao consumo humano e para irrigação de hortaliças e frutíferas, entre 59% e 100% apresentaram teores de Cd e Pb superiores aos valores de intervenção definidos pela Cia de Tecnologia de Saneamento Básico (CETESB) – 2005.

 

Considera-se um solo contaminado aquele que apresenta concentrações de determinada espécie química acima do esperado em condições naturais. Antes da publicação dessa pesquisa em 2005, não existia no Brasil, definição clara para concentrações desses elementos-traço, que determinassem um solo contaminado ou não, exceto para o Estado de São Paulo e região do Cerrado.

 

Ainda segundo o estudo, as principais preocupações em relação à adição desses elementos-traço ao solo são sua entrada na cadeia alimentar, a redução da produtividade agrícola decorrente dos efeitos fitotóxicos, acúmulo no solo, alteração da atividade microbiana e contaminação dos recursos hídricos. Além disso podem gerar efeitos nas plantas, que quando crescidas nesse solo contaminado, pode ser ingerida pelos animais e causar sérios impactos na cadeia trófica, contaminando carne, leite, ovos e inclusive no homem.

 

A pesquisa mostra ainda que quanto aos efeitos na saúde humana, – os níveis de elemento traço raramente causam danos graves ao ambiente, no entanto, há a preocupação de que um grande segmento da população possa estar sofrendo de doenças relacionadas ao envenenamento por elementos-traço sem ao menos perceber. De fato, a maioria desses elementos tende acumular-se em tecidos mamários, mesmo havendo a exposição a doses pequenas, portanto, representa um perigo à saúde humana.

 

Dependendo do nível de exposição, pode resultar em uma série de efeitos cumulativos no organismo, provocando doença crônica (saturnismo), cujos efeitos tóxicos podem ser exemplificados como hematológicos (anemia), efeitos sobre o sistema nervoso central (encefalopatia saturnínica e retardo mental variável, sendo mais comum em crianças, cefaleia e perda de memória em adultos), renais (nefropatia tubular com proteinúria, hematúria), no tubo gastrintestinal (cólica abdominal intensa, com enrijecimento da parede abdominal), mutagenicidade e sobre a reprodução (pode causar infertilidade masculina por alterações testiculares, na mulher, pode causar falha na implantação de óvulos). A possibilidade de o Pb causar câncer em seres humanos não é bem conhecida. Entretanto, pesquisas revelam que roedores, quando expostos a alta dose do metal, desenvolvem tumores. O departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos tem constatado a possibilidade dos acetatos e fosfatos de Pb serem carcinogênicos.

 

Em outro livro, “Development and uses of Biofortified Agricultural Products”, ou seja, Desenvolvimento e uso de Biofortificantes em produtos Agrícolas, publicado nos Estados Unidos, pela editora Taylor and Francis Group, o professor Nildo também foi autor de um capítulo, convidado pelo editor, Gary S. Bañuelos, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. Nesse trecho ele ressalta o processo de nutrição das plantas de soja em solos contaminados com metais.

 

Um das citações chama atenção para dieta humana, e em particular a de vegetarianos, quem diria que ela representa maior fonte de exposição a Cd. Portanto, sua alta mobilidade no sistema solo-planta representa um perigo em potencial para a saúde humana quando seus teores no solo são elevados por adições antropogênicas de naturezas diversas. O elevado conteúdo de Cd determinado em seus solos poluídos da bacia do Rio Jintsu, no Japão, tem sido relacionado ao desencadeamento de uma doença, conhecida como “Itai-itai”, que provoca dores severas nos ossos. Plantações cultivadas nesta área, associadas ao consumo de água, resultam em contaminação elevada por Cd na população, a qual atualmente ainda causa disfunção renal tubular seguida de osteoporose.

 

Isso tudo não quer dizer que o uso de fertilizantes na agricultura, deve ser abolido, mas é muito importante o controle da quantidade aplicada. Com o objetivo de reduzir os riscos de contaminação do solo, o Brasil baixou, em 2006, através do ministério da agricultura, uma instrução normativa SDA nº 27, que define os limites máximos de elementos-traço admitidos em fertilizantes minerais.

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