Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira
Universidade Brasileira alinhada à integração com os países membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)

Jornada define rumos pedagógicos para Unilab

Data de publicação  18/05/2011, 00:00
Postagem Atualizada há 10 anos
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A equipe docente e técnica da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) analisou, discutiu e tomou decisões importantes, que serão aplicadas nos próximos 90 dias de aula, durante três dias, semana passada, na I Jornada Pedagógica, no Campus da Liberdade, em Redenção.

Entre os temas abordados, as emendas disciplinares que consolidam os cursos, planos de ensino, metodologias de ensino e aprendizagem, tutoria, avaliações e seleção de material. A maioria dos temas envolvia interesse comum entre os cursos como inserção na vida universitária, componente curricular obrigatório para todos os cursos, além de avançarem no desenho de iniciação ao pensamento científico, que é outra disciplina obrigatória.

Apresentado pela professora Maria Elias Soares, vice-reitora da Unilab, o tema Linguística e identidade, rendeu assunto. A ideia era desenvolver um planejamento de como essa diversidade linguística repercute, considerando as muitas línguas portuguesas. Surgiu, daí, outra discussão sobre o tema Letramento Acadêmico. “A relação entre o conhecimento empírico, que tem uma importância muito grande, para entender as ciências, são saberes que embora não sejam sistematizados, são úteis, para compreender as disciplinas que serão dadas”, relata a vice-reitora.

A professora Maria Elias destaca também a importância de reuniões como essa para potencializar a forma de entendimento entre alunos e professores, afinal quem é, e, de onde vem esse aluno. “Discutimos uma relação, entre a expectativa que o professor tem do aluno, que ele vai receber e que aluno é esse de fato”. O bate papo foi além, ao entrar na universidade o aluno precisa dominar a escrita, mas não apenas, no sentido de saber a língua, ou seja, ler e escrever o português, mas a escrita que existe na academia, a exemplo tipos e estilos de textos e respostas exigidos de acordo com cada situação.

Os professores ainda levantaram questões sobre o preconceito linguístico, importante fator de discussão, uma vez que será integrada com estrangeiros. “Nós não podemos reproduzir práticas preconceituosas frente a essa diversidade linguística que vamos lidar. Penso que outra diretriz importante é o da afirmação e da valorização das diferenças, no sentido de emancipar os sujeitos. Acho que é importante que a diferença, seja afirmada como uma força”, disse Maria Elias. A pró-reitora, de Ensino de Graduação, Jaqueline Freire, completa: “é importante a gente estar coletivamente, se apropriando de como lidar com essa diferença no sentido de valorizar essas múltiplas identidades e culturas que nós vamos ter”.

As exigências na academia são completamente diferentes das aplicadas no ensino médio e fundamental. “Esses múltiplos letramentos que, de fato, definem uma forma de pensar, interagir, entender a vida, são importantes, e são eles que fazem com que nos adequemos a diversas situações”, explica a vice-reitora.

A jornada serviu de base para novas ações, segundo a professora Jacqueline Freire. Há necessidade de se pensar na formação continuada, “promover reuniões, grupos de trabalhos, em diferentes momentos em nosso cotidiano dentro da Unilab”, afirmou.

Ainda falando sobre a questão do letramento os professores trabalharão com os alunos em uma perspectiva mais ampla, procurando a partir do saber das pessoas, aproveitar, interagir, fazer com que a ciência e o conhecimento cientifico, interaja com essas formas de conhecimento, de senso comum, que existem.

Trechos do documentário ‘Línguas – vidas em português’, de Victor Lopes, filmado em 2001, propõem uma discussão sobre identidade e memória, das múltiplas línguas e expressões portuguesas que existem, foi exibido aos docentes. Depoimentos como do escritor moçambicano Mia Couto, que diz: “No fundo, não estás a viajar por lugares, mas sim por pessoas”; de José Saramago: “Não há uma língua portuguesa, há línguas em português”, entre outros que também faziam parte do elenco, como Edinho e Martinho da Vila, mostram essa diversidade na prática. “Mostramos alguns trechos do documentário para encaminhar uma discussão, que é muito rica e promete”. Para próxima jornada, os docentes já têm uma solicitação: “assistir ao filme por inteiro”, relembra Maria Elias.

A pró-reitora de Ensino de Graduação, Jacqueline Freire, que organizou a jornada, avaliou como um avanço coletivo. “Uma marca nesse processo do encontro é exatamente o planejamento integrado dos diferentes cursos e professores. Então, acho que isso é um avanço superimportante para nós”.

O coordenador do curso de Engenharia de Energias, George Mamede, também destacou a oportunidade da Jornada. “Foi importantíssimo. Nós precisamos ter esse momento de planejamento, definir as atividades, essa relação professor estudante. Para funcionar de uma maneira adequada é preciso que haja um planejamento antes, e essa semana foi extremamente importante nesse sentido”.

A Jornada também serviu para o reconhecimento dos novos professores-visitantes que, como Juliana Celestino, já entraram no ritmo da inauguração. “Realmente, estou achando bem interessante. Estamos debatendo vários assuntos, como a acolhida dos alunos, que é uma expectativa nossa, então estou achando bastante proveitosa”. Já para o também novato na Unilab, professor José Berto Neto, “o acréscimo e o enriquecimento que vem para o professor é fundamental. Está sendo muito bom, instrutivo, especialmente o dia de hoje, com a palestra da professora Maria Elias, além dos depoimentos, colocações e reflexões dos colegas. Tudo serve de enriquecimento e nos tranquiliza um pouco, por mais experientes que sejamos sempre bate aquela expectativa, dúvida de como nossas ideias vão se concretizar, e isso a jornada pedagógica ajudou muito”.

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