Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira
Universidade Brasileira alinhada à integração com os países membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)

Oficina de Consciência Corporal e Ancestralidade Africana

Data de publicação  31/05/2011, 00:00
Postagem Atualizada há 10 anos
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No dia seguinte à inauguração, as atividades continuavam a todo vapor. De manhã foram palestras enriquecedoras; à tarde, antes do lançamento,do livro Fraga: Afetos e Caminhos de uma Família que Atravessa Mares, Sertões, Desafios e Improvisos, os alunos se reuniram no pátio da Unilab para participar de uma aula de reflexão e relaxamento, ao mesmo tempo em que aprendiam sobre a ancestralidade.

Com mais de 30 anos de experiência na área da ancestralidade, o professor Norval Cruz aplicou uma oficina de Consciência Corporal e Ancestralidade Africana. Ele explicou, na prática, aos alunos da Unilab, a relação entre o ser humano e seus ancestrais. No início, os alunos ficaram meio tímidos, mas aos poucos foram soltando a voz, entoando um canto como forma de energia, “Axé, axé, axé…”, que traduzido significa “tudo de bom que você pode oferecer a alguém”. Depois de afinados, e de pés descalços, o professor explicou o conceito do canto e passou para segunda atividade. Ele espalhou centenas de grãos de milho, feijão preto e uma semente de vermelha, e pediu aos alunos para recolher tudo, e colocar de volta nos recipientes. A ideia era promover a integração entre os alunos, sem mencionar a palavra integração, ao mesmo tempo em que iam sentindo a energia circular entre eles.

 

União, alegria, prazer, me senti energizado, terra, esses eram os sentimentos dos alunos ao responder ao professor sobre o andar descalço, recolher os grãos, agachar, sentar-se no chão. Juntos, realizaram atividades que misturavam movimentos do corpo, dança e canto. Segundo o professor, é dessa forma que se faz a conexão ancestral, tribal. “Por isso, esse termo moderno de integração acontece naturalmente, sem eu falar integração. Você faz a vivencia tribal, e eles falam em união o tempo todo”. O professor chama isso também de um contraponto para o formalismo da universidade, da educação, das arquiteturas, das cerimoniais, das cadeiras, das mesas. “É um contraponto, é o ancestral”.

 

Ele faz um alerta para que não sejam esquecidas as raízes ancestrais que promovem a integração naturalmente. “A proposta é sair do pós-moderno, de uma visão deformada porque com todo respeito ao progresso, você não pode desprezar as raízes ancestrais, porque o planeta sofre, as doenças aumentam, os povos guerrilham mais, enquanto o tribalismo, seria uma situação mais unificada, mais prazerosa, mais humana e mais natureza”. Disse ainda que isso fica muito claro nas atitudes que hoje presenciamos quando “a natureza, na sua diversidade, mostra essa interatividade, que esse chamado, humanismo, ou antropocentrismo, são conceitos, hoje trazidos, que negam essa ancestralidade, é o que é isso, é a deformação, a poluição, rios poluídos, como vou poluir um rio que me nutre?” Fica aqui o conceito para reflexão, afinal, são de pequenas ações, que os rios são poluídos, que as plantas morrem, que a falta de humanidade propõe guerra, portanto assim também podem ser revertidas.

O objetivo dos exercícios foi mostrar a apropriação da ancestralidade africana, no seu fazer. Segundo o professor, “foi muito positivo, eu saio feliz, porque uma aluna se encontrou com a raiz”, referindo-se ao comentário de uma aluna, que comentou que sempre se lembrará dele, quando estiver praticando uma das atividades ensinadas.

 

A programação da manhã foi encerrada com a apresentação do grupo de capoeira Fé e Alegria, do Município de Aracoiaba. Jovens, meninos e meninas, jogaram capoeira em diferentes estilos como Angola, Regional e finalizaram a apresentação com samba de roda. A atividade foi coordenada pelos professores Afrânio Coelho e Albanise Marinho, da Unilab.

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