Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira
Universidade Brasileira alinhada à integração com os países membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)

Traços afro descendentes aguçam a curiosidade

Data de publicação  31/05/2011, 00:00
Postagem Atualizada há 10 anos
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Alunos e alunas sentados nas cadeiras, no chão, em pé. Esse foi o cenário que assistiu às palestras sobre o tema ‘Brasil-África, traços afrodescendentes’, trabalhadas com três visões diferentes, realizadas na sexta-feira, 27, no auditório da Unilab, em Redenção. Lotado o auditório, que cabe cerca de 80 pessoas, acolheu mais de 100.

 

Coordenada pelo professor George Mamede, da Unilab, o que não faltou foi diversidade nos assuntos. A professora Maria do Carmo, que veio do Rio Grande do Sul, falou sobre a chegada dos índios à região, sobre o que aconteceu com eles. Ela contou que a vila dos indígenas sobreviveu até 1830. “Essa vila era muito pobre, estava em decadência, não tinha como recolher impostos, e com o processo de seca, foi acabando. É um processo que não se fixa mais permanente”, afirmou a professora. Para a aluna Karine, saber dessa história foi uma surpresa. “Achei a palestra mais interessante porque falou sobre os indígenas na nossa região, ela que é do Rio Grande do Sul, sabia muito mais da nossa região, do que nós, que moramos aqui” e confessa: “eu não sabia quase nada, que tinha tanta presença de indígenas aqui e o quanto a gente tem deles, essa descendência”, concluiu.

 

Já o africano, professor visitante, recém-contratado pela Unilab, Luis Tomas Domingos, falou sobre a cultura africana tocando em questões que envolvem a fertilidade, foi mais longe explicando o processo pelo qual passa a criança. “Quando nasce, a criança é apresentada à lua, pela pessoa mais idosa. A criança tem que ser integrada na simbologia africana”. Para o africano, a lua é símbolo da fertilidade. Quando a menina completa 12 anos, passa por outro processo. Elas vão para Escola de Iniciação em África, onde aprendem a lidar com o corpo, com o homem, falar, calar, ouvir. Ensinadas por senhoras idosas, o objetivo é torná-las mulher. Quando voltam para casa, já estão prontas para se casar. Por um processo parecido passam também os homens, para entenderem não só os conceitos, mas a importância do casamento. É, mas tem coisa que só africano fica sabendo. “O mundo africano é um mundo de segredo”, relatou o professor.


Outro assunto que também chamou a atenção foi a morte. Considerada na África como uma viagem ao mundo dos ancestrais “a morte é uma passagem”, disse o professor. Para finalizar a palestra, sem saber, acabou esclarecendo a dúvida de um aluno que diz ter aprendido com ele o real significa da palavra Axé. “Achei as palestras boas, principalmente do professor que falou mais da África, explicou a palavra axé, que eu não tinha entendido direito”. Milton contou que no dia anterior, quando essa oficina foi trabalhada com os alunos, ele perdeu a explicação porque teve que ir embora, antes do término. Tomas desejou aos alunos Axé, ou seja, tudo o que você pode oferecer de bom a alguém. Já Karine disse “conhecer outra cultura, é isso que a gente espera da Unilab, e ele colocou isso de forma bem clara. É interessante também ver que a gente tem algumas coisas semelhantes com eles, por mais que sejam de outras culturas”, finalizou.

 

E que tal um pouco de Literatura, fixação e poesia? Trabalhando com leitura crítica o também professor da Unilab, Manoel Silva, palestrou sobre o escritor cearense Manoel de Oliveira Paiva, autor do romance “Dona Guidinha do Poço”, poema Vinte e cinco de março, de 1884 e Afilhada, romance publicado em folhetins no jornal “O Libertador”, em 1889, entre outros. Morreu, três anos mais tarde, de tuberculose. “São histórias de acidentes e tristezas”, relata o professor. Oliveira, como jornalista, participava do grupo desse jornal, O libertador, porta-voz da Sociedade Libertadora Cearense. “Literatura é semelhante à verdade, não é a verdade”, concluiu o professor. De forma bem humorada ele despertou desejo nos alunos em conhecer mais sobre as obras desse autor. “Aguçou a curiosidade de eu conhecer a obra, que é de um autor do meu Estado”, afirmou Karine.

 

Já a estudante Danielly Medeiros Olímpio resumiu, dizendo que tudo foi um aprendizado. “Eu adorei as palestras. Estou hoje a encarar a vida de outra forma. Vi que existe um mundo aí fora, que eu preciso conhecer e ajudar. A vida é muito mais que meus problemas pequenos, e a partir do momento que eu ouvi tudo aquilo, sobre os países africanos, percebi que posso ser útil, e conhecer a história é o primeiro passo que tenho que dar para cumprir essa meta”. Essa foi mais uma das atividades realizadas durante o circuito cultural inaugural da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira.

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