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Dignidade humana é debatida no III Seminário Consciência Negra

Data de publicação  28/11/2011, 12:09
Postagem Atualizada há 10 anos
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“O perigo da história única é que ela quebra a dignidade do ser humano, dos povos, de um continente. Foi o que aconteceu com a África”. Com esta declaração o professor Carlos Subuhana sintetizou a palestra que deu, na abertura do III Seminário Consciência Negra, realizado nesta quinta-feira, 24, no Ginásio Tarcísio Bonfim, em Redenção – CE.

Desde cedo, o ginásio estava decorado, com bandeiras e paineis com fotografias, para receber convidados, palestrantes, funcionários, professores, supervisores e alunos, com a proposta de refletir sobre o tema. A prefeita Cimar, de Redenção, a secretária Ana Paula Braga, da Educação, a secretária Terezinha de Lisiê, de Cultura, a diretora Marta Góis, representante dos funcionários municipais, palestrantes e outras autoridades compuseram o dispositivo de abertura. O professor José Berto, coordenador de Gestão do Pibid/Unilab e o pedagogo José Veríssimo, da Pró-Reitoria de Graduação, representaram a Unilab.

Secretária Ana Paula Braga fala na abertura do seminário

Coube à secretária Ana Paula as palavras de acolhida. Após saudar os alunos das escolas municipais e os pibidianos da Unilab – “um passo decisivo no fortalecimento da parceria com a Unilab” -, ela lembrou que o debate acerca da consciência negra teve início com projeto “As cores de Redenção” que aconteceu em 2009. “Abrimos para debates e promovemos reflexões envolvendo a sociedade, dentro do contexto social e histórico, com a instalação da Unilab, em Redenção”, afirmou a secretária. Houve, em seguida, apresentação de capoeira e de dança, com um grupo meninas do município.

Professor José Berto, representante da Unilab

Grupo de capoeira e de dança: apresentações culturais

Professor Carlos Subuhana: temática afro-brasileira é um desafio

Com o tema “O perigo da história única: colonialismo, racismo, estudos africanos e americanos”, o professor doutor moçambicano Carlos Subuhana, da Unilab, reafirmou o debate sobre o pan-africanismo, com sua ideia do escravizado na África, nos Estados Unidos e no Brasil e outras nações europeias. Relembrou a diáspora dos povos africanos, sob a ótica do colonialismo e da escravização. Sobre o tema, o professor Subuhana disponibilizou notas sobre o pan-africanismo e negritude.

“Devemos combater que o negro brasileiro é cidadão de 2ª classe”, disse professor Subuhana

“A temática afro-brasileira é um desafio para todos os educadores”, afirmou Subuhana. Ele reforçou este desafio, citando a Lei 10639/2003, que estabelece a obrigatoriedade do ensino da História e da Cultura da África e dos Africanos, bem como, a Educação das Relações Étnico – Raciais no currículo escolar básico das escolas públicas e privadas brasileiras. Em seguida fez referência a nomes importantes na luta pela resistência à escravização como Gamga Zumba, Zumbi e, mais recentemente ao esforço de Abdias do Nascimento, além do debate e das controvérsias acerca da ‘democracia racial’ no país. “O desafio hoje no Brasil é como devolver a dignidade de parte da sociedade brasileira, que ajudou a construir esta nação”, disse o professor.

Hilário Ferreira Marques

Ana Paula Sancho

Após a palestra, os participantes foram divididos em grupos temáticos e se dirigiram para as oficinas. Os convidados mediadores foram: professor e pesquisador da cultura negra no Ceará, Hilário Ferreira Marques, autor do livro “Descobrindo e Construindo Redenção História e Geografia”, juntamente com as geógrafas Marisa Ribeiro e Ana Emília Maciel, destina-se aos alunos do Ensino Fundamental I. O tema da oficina foi Educação e Relações Étnico-Raciais.

A oficina dois teve facilitadora a professora Ana Paula Sancho Diogo, do Instituto Prisma de Desenvolvimento Humano (IPDH). Ela trabalho o tema “Contando e recontando nossa ancestralidade africana e afro-decendência”. A terceira oficina foi coordenada pelo pesquisador Emmanuel Bastos Lopes, da Associação Afro-Brasileira de Cultura Alàgba, com o tema “Interdisciplinaridade, africanidade e afro-descendência”. E a quarta oficina teve como facilitador o professor de percussão Leno Farias, também da Alàgba. Equipado com instrumentos, ele trabalhou tema “Musicalidade, nossa ancestralidade afro-descendente”.

Emmanuel Lopes

Leno Farias

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