Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira
Universidade Brasileira alinhada à integração com os países membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)

Semana Nelson Rodrigues homenageia centenário do dramaturgo de 20 a 23 de agosto na Unilab

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Data de publicação  17/08/2012, 13:29
Postagem Atualizada há 9 anos
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“Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico (desde menino)”. Nelson Rodrigues

 

O centenário do dramaturgo, jornalista e escritor Nelson Rodrigues será lembrado pela Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab). De segunda (20) a quinta-feira (23), será realizada a Semana Nelson Rodrigues, no Anfiteatro do Campus da Liberdade, em Redenção. A programação festiva inclui uma aula-espetáculo com o ator cearense Ricardo Guilherme, a encenação de cenas da peça “Álbum de Família” pelo Grupo de Teatro do Curso de Belas Artes da Unifor e exibição de vídeos. Se vivo fosse, Nelson Rodrigues comemoraria 100 anos no dia 23 de agosto.

Nelson Rodrigues completaria 100 anos no dia 23 de agosto

O coordenador de Arte e Cultura da Unilab, Fernando Leão, explica que a proposta de homenagear o centenário de Nelson Rodrigues é um reconhecimento a um dos maiores autores do moderno teatro brasileiro. “Dentro de um contexto de universidade que possui um curso de Letras e um de Ciências Humanas e ainda um Grupo de Teatro, não poderíamos deixar de fazer essa homenagem”, diz.

Segundo Fernando, a Semana Nelson Rodrigues representará para muitos alunos da Unilab o primeiro contato com o autor. “Alguns dos nosso alunos brasileiros não conhecem Nelson ou só ouviram falar dele. Os estrangeiros também não o conhecem. Diante da importância de Nelson Rodrigues para a literatura e para o teatro brasileiros, não poderíamos deixar essa data passar em branco”, afirma.

O grupo de Teatro do Curso de Belas Artes da Unifor vai apresentar cenas do “Álbum de Família”

Programação

Segunda-feira (20), às 19h, no Anfiteatro, o Grupo de Teatro do Curso de Belas Artes da Unifor apresentará um trabalho de experimentação sobre as duas cenas finais da peça “Álbum de Família”, escrita por Nelson Rodrigues em 1945. A peça retrata uma família, que apesar da aparência feliz e normal, na intimidade vive numa rede de paixões incestuosas e de outras perversões. No elenco da peça estão Leonardo Alves Bezerra; Manoela Elias Moreira da Silva; e Isabella Tavares Castelo Branco. A direção é de Manoel Moacir Rocha Farias Júnior.

Terça-feira (21) e quinta-feira (23), às 12h30, no Anfiteatro da Unilab, serão exibidos episódios de “A Vida Como Ela É”, série de televisão inspirada em crônicas escritas por Nelson Rodrigues durante sua passagem pelo jornal A Última Hora, em 1950.

O ator Ricardo Guilherme (foto Diário do Nordeste/Marília Camelo)

Quarta-feira (22), às 19h, também no Anfiteatro do Campus da Liberdade, o ator e teatrólogo cearense Ricardo Guilherme foi convidado para apresentar uma aula-espetáculo sobre Nelson Rodrigues. Ricardo, que se reconhece como rodrigueano, escreveu vários trabalhos sobre Nelson e conheceu o autor pessoalmente. Segundo Ricardo, a apresentação na Unilab vai focar o lado cronista e contista do autor. “O meu Nelson é o pensador, mais intelectual, que pensa temas como família, sexo, religião, um Nelson que não tem tempo, nem lugar, e que tantas vezes foi mal-compreendido ”, diz.

Ricardo Guilherme destaca que Nelson Rodrigues foi um dos primeiros autores brasileiros a escrever no século XX sobre o negro, colocando-o como protagonista. A peça “Anjo Negro”, escrita em 1946, inova ao retratá-lo sem paternalismo e nem como moleque, malandro, ou apresentado em posição subalterna. “O Nelson apoiou o Teatro Experimental do Negro e esse é um dos temas que ele trata. O seu olhar é absolutamente original porque ele fala do preconceito não só do branco com relação ao negro, mas do negro em relação ao próprio negro. Acho que esse vai ser uma tema que eu levarei para a minha apresentação em Redenção já que ele é tão caro a essa cidade”, diz.

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