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MOÇAMBIQUE – HIV/AIDS provoca mudanças nos ritos de circuncisão masculina

Data de publicação  26/06/2014, 09:41
Postagem Atualizada há 7 anos
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bandeira_mocambiqueNa província de Nampula, norte de Moçambique, a prática da circuncisão tem vindo a ser abandonada. Devido aos elevados índices de propagação do HIV/AIDS e doenças infeciosas, opta-se cada vez mais por cirurgias. Essas mudanças de atitude em relação à prática da circuncisão acontecem numa fase em que o Governo tem lançado programas de sensibilização sobre os efeitos negativos de rituais de iniciação.

Durante a circuncisão com métodos tradicionais, localmente designada por ‘emuali’, ou ritos de iniciação, as crianças, adolescentes e jovens circuncisados (chamados Lukhos) são isoladas num período de 30 a 40 dias e são submetidos a vários testes para a educação moral.

Tradicional e o moderno

Chehe Abdala promove ritos de iniciação há cerca de 30 anos.

Chehe Abdala promove ritos de iniciação há cerca de 30 anos.

Chehe Abdala, de 75 anos de idade, natural da província de Nampula, promove ritos de iniciação há cerca de 30 anos. “Antigamente, a circuncisão era feita de uma forma muito simples: uma faca para muitas pessoas. Hoje cada circuncisado tem o seu material porque o processo antigo trazia problemas como o HIV/Aids”, reconhece. Chehe Abdala conta que este ano, pela primeira vez, abandonou os métodos tradicionais e optou pela circuncisão feita no hospital. Apesar de considerar que este tipo de operação é segura, lembra a importância dos rituais da circuncisão como uma prática e costume local.

O docente universitário Lucas Mangrasse defende que a circuncisão masculina, realizada de forma tradicional por grupos conservadores, não é aceitável pelas sociedades modernas, uma vez que pode provocar a propagação de doenças infeciosas. Apesar de não ser contra o culto de tradições, Mangrasse acredita que elas poderiam ser revistas. “Os nossos jovens precisam de educação. E essa educação, independentemente de ser oficial ou não, acho que há algo a aproveitar nesses ritos de iniciação tradicionais. Mas julgo que o que deveria ser retificado é que a própria circuncisão não deveria ser feita em moldes tradicionais.”

Tradição e Práticas seguras
Por outro lado, o professor Sebastião Miranda Zambo considera que a circuncisão masculina com a utilização de métodos tradicionais não é a causa da propagação de infeções e do HIV/AIDS, uma vez que a prática já vem sendo realizada há muitos anos. O professor sublinha ainda que a circuncisão masculina com métodos tradicionais melhorou bastante, já que os líderes tradicionais contratam enfermeiros e pessoas especializadas para a realização das cirurgias.

Segundo Joselina Calavete, médica chefe e generalista na Direção Provincial de Saúde em Nampula, a instituição já tem um plano para trabalhar com os líderes tradicionais, para que a circuncisão masculina seja realizada de forma segura e regulada, evitando a propagação de doenças infeciosas incluindo o HIV/AIDS. “O nosso papel é garantir que este processo ocorra da maneira mais saudável possível, considerando todas as normas de segurança”, declara. Este ano, a Direção Provincial de Saúde assistiu, através do Programa Nacional de Saúde, mais de 6.300 circuncisões nos 21 distritos de Nampula, revelou Calavete.

Fonte: Deutsche Welle

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