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Escritores de língua portuguesa participam da “Bienal fora da Bienal”, na Unilab

Data de publicação  12/12/2014, 14:04
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Escritores dos países de língua portuguesa

Escritores dos países de língua portuguesa

O projeto Café com Letras da última quarta-feira (10) contou com uma programação especial. Um encontro único entre escritores de países de língua portuguesa, que vieram participar da XI Bienal Internacional do Livro do Ceará, que vai até o dia 14 de dezembro, no Centro de Eventos, em Fortaleza. Esses escritores participaram, no anfiteatro da Unilab, da “Bienal fora da Bienal”, uma mesa redonda com o tema “Literatura e História: imagens do colonizado e do colonizador”.

A mediadora do encontro, a professora do Instituto de Humanidades e Letras (IHL) da Unilab, Denise Rocha, depois de agradecer e apresentar cada um dos escritores, criticou a questão da distribuição do livro no Brasil, que, muitas vezes, impossibilita que os leitores brasileiros tenham acesso à produção literária contemporânea dos países de língua portuguesa.

Professora do Instituto de Humanidades e Letras (IHL) da Unilab, Denise Rocha.

Professora do Instituto de Humanidades e Letras (IHL) da Unilab, Denise Rocha.

“O problema da distribuição do livro no Brasil impede que as obras desses (referindo-se aos autores presentes) e de outros escritores de países de língua portuguesa cheguem até nós. É o caso, por exemplo, da belíssima obra “Ualalapi”, do escritor moçambicano Ungulani. Graças à obra desse autor nós podemos entender a grande mancha que foi a colonização portuguesa para os países africanos”, destacou Denise.

Para o escritor Ungulani Ba Kha Kosa, as mazelas e contradições do processo de colonização terminam distorcendo ou apagando a memória dos povos colonizados. “A nossa memória foi sendo secundarizada pelo processo de colonização. Então, minha obra persegue de forma incessante e sistemática a busca pelo resgate dessa memória esquecida e marginaliza”, afirma Ungulani.

O escritor moçambicano Ungulani Ba Kha Kosa

O escritor moçambicano Ungulani Ba Kha Kosa

Filho de preso político no regime do ditador português Salazar, nascido em Chão de Papel, bairro de Bissau, a capital de Guiné-Bissau e radicado em Fortaleza/CE, o escritor Manuel Casqueiro discorreu, a partir do resgate das suas memórias, sobre as dificuldades de adaptação em um mundo partido pela colonização portuguesa. “Quando criança, eu não era aceito nem pelos brancos, porque era filho de um preso político, nem pelos negros, porque não era da cor deles. Eles me viam como alguém doente, uma má companhia.”

Manuel Casqueiro chamou a atenção também para a desvalorização da memória dos povos africanos pela educação em Guiné-Bissau. “Nós éramos obrigados a estudar todas as dinastias europeias, todas as vitórias de Napoleão, mas não estudávamos nada da história africana, não sabíamos nada sobre o Império de Mali”.

Manuel Casqueiro, autor de “Mulungu Pululu – Homem branco transparente”.

Manuel Casqueiro, autor de “Mulungu Pululu – Homem branco transparente”.

Estiveram presentes na Bienal fora da Bienal os escritores:
– Nuno Camarneiro (Portugal), autor dos romances “No meu peito não cabem pássaros” e “Debaixo de algum céu.”
– Goretti Pina (São Tomé e Príncipe), autora do livro “No dia de São Lourenço – O Encanto do auto de floripes”.
– Emílio Tavares Lima (Guiné-Bissau) organizou a antologia poética “Na flor do ser” e publicou o romance “Finhani”.
– Ungulani Ba Kha Kosa (Moçambique) escreveu: “Ualalapi”, “Orgia dos loucos”, “Histórias de amor e espanto” e “No reino dos abutres”.
– Manuel Casqueiro (Guiné-Bissau), autor de “Mulungu Pululu – Homem branco transparente”.

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