Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira
Universidade Brasileira alinhada à integração com os países membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)

ENTREVISTA | Grupos de Trabalho criados durante o Isolamento Social reforçam o Projeto de Criação da Unilab

Data de publicação  11/11/2020, 10:54
Postagem Atualizada há 10 meses
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A Secom (Secretaria de Comunicação Institucional da Unilab) conversou com a atual pró-reitora de Relações Institucionais  da Unilab (Proinst), Artemisa Odila Candé Monteiro. O assunto foi a criação dos Grupos de Trabalho (GT’s) de Internacionalização, de Acompanhamento de Estudantes Estrangeiros e Antirracismo, bem como suas repercussões para a trajetória futura da universidade.

Secom: A abertura dos 3 GT’s (Internacionalização, Acompanhamento de Estudantes Estrangeiros e Antirracismo) aconteceu por uma solicitação da Proinst à Reitoria?

Sim. Já tinha sido debatido com o reitor (Roque Albuquerque, atual reitor pro-tempore da Unilab) sobre essa necessidade. Na apresentação do Plano de Gestão da Proinst já constavam essas demandas. Foi nesse processo de parceria e de trabalho conjunto que esses GT’s surgiram, e foi encaminhado à reitoria a partir do que a gente vem traçando como objetivos.

Secom: O que propiciou o nascimento simultâneo desses grupos de trabalho agora? Como tem funcionado?

É necessário o aprimoramento das ações de Internacionalização. Elaboramos um plano de trabalho remoto assim que eu assumi (…) Estamos fazendo reunião com as Universidades dos Países parceiros que têm acordo vigente e com as quais estamos elaborando plano de trabalho conjunto. É o caso da Universidade de Santiago, de Cabo Verde, a Universidade de São Tomé e Príncipe, a Universidade de Cabo Verde, a Universidade Amílcar Cabral, a Universidade Lusófona da Guiné e as outras Universidades que ainda estão preenchendo o formulário desse plano de protocolo de intenções para apontar quais são as áreas que lhes interessam e que nos interessa a curto prazo. 

 A gente viu que o fato de estarmos em isolamento social não nos exime de dar continuidade ao trabalho mesmo estando cada um em sua casa, já que tivemos ferramentas para que esse recurso sirva de nos reaproximar e sirva também de fazer esse contato, apresentando a nova gestão e sua proposta. 

O nascimento simultâneo desses grupos já vem dentro da proposta da gestão; não vimos motivos para poupar esforços (de precisar encerrar o trabalho de um GT para dar início ao trabalho de outro) já que eram componentes diferentes. A primeira coisa que a gente sentou e pensou foi nos componentes desses GT’s, assim ficou perfeito o encaixe desses trabalhos de maneira síncrona. Cada um dos três trabalha independentemente, com suas datas e calendários.

Secom: Quais são os encaminhamentos práticos da atual gestão para efetivar o Plano de Internacionalização da Unilab?

Assim que assumi a Proinst, fiz reunião com todos os diretores de Institutos, com todos os pró-reitores, coordenadores de cursos, com núcleos (como o de Linguagens) e a Sepir (Seção de Promoção de Igualdade Racial da Propae). Assim, reaproximamos a Proinst de todos esses segmentos da universidade. A discussão acerca das diretrizes de Internacionalização já vinha da gestão passada, mas havia apenas três pró-reitorias envolvidas no debate (além da Proinst, a Prograd e a PROPPG); quando assumi, ampliei essa participação.

 Apresentamos os eixos que já tinham do “GT” passado (que, embora eu chame de “GT”, nunca foi portariado) e o que se vislumbra a partir de agora. Com uma metodologia de pesquisa propriamente dita, entrei em comparação com o que o Ministério da Educação (MEC), a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e outras universidades traçaram enquanto diretrizes para Internacionalização: Fizemos uma varredura. 

Secom: Como tem sido a participação estudantil nesses processos?

Usando o exemplo do eixo de “Acompanhamento e Acolhimento”: se aproximaram as representações das Associações de Estudantes Estrangeiros, Diretório Central dos Estudantes (DCE) (além de todos os coordenadores de Cursos). O eixo de “Diretrizes de Internacionalização” também tem dois representantes estudantis. 

O GT de Acolhimento e Acompanhamento tem mais estudantes porque é o que vai decidir sobre as suas vidas, sobre suas ações e sobre o que a gente pode também estar trabalhando em prol de melhoramento do processo de acolhimento dos internacionais aqui na Unilab.

Quanto ao GT Antirracismo: como já tem um setor que trabalha com isso (a Sepir), solicitei uma reunião, conversei, falei dessa necessidade da criação, um dos pontos da minha gestão, por conta de várias queixas dos estudantes internacionais sobre racismo, preconceito, xenofobia tanto dentro da Unilab como fora dela. Então veio à mente procurar eles que são da área, que trabalham com isso e conversar com eles, que assumiram esse GT e propuseram os componentes do GT.

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Secom: O que a Unilab ainda precisa fazer para ser uma Universidade mais internacionalizada? Estamos num bom caminho?

Primeiro a gente faz diretrizes; em seguida, criamos uma minuta de resolução sobre elas. Logo após, fazemos o Plano Institucional de Internacionalização da Unilab, que contará com as políticas de orientações de organismos relevantes, internacionais e nacionais, tais como o das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, o da Unesco… O plano estratégico da Ciência e Tecnologia do Ensino Superior da CPLP 2014-2020 provavelmente ainda vai ser prorrogado. Então trata-se de um processo contínuo e sistemático de ações que visa contribuir para a excelência acadêmica tendo por base o ensino, pesquisa e extensão de qualidade, e a relevância da inovação.

A promoção da internacionalização e da interculturalidade visam desenvolver parcerias institucionais e internacionais e promover a interação cultural e social. Estes são pontos também que vão constar no Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), que vai dialogar constantemente com o Plano Institucional de Internacionalização.

O mais importante não é o fato de existir um Grupo de Trabalho que vai se debruçar sobre a questão da internacionalização, mas é a questão da própria universidade se mobilizando em torno da discussão desses processos. 

Existem pontos em que a Unilab precisa avançar para, de fato, estar internacionalizada, seja na política linguística, seja na internacionalização de currículos, seja na dupla diplomação e estágio internacional, seja na política de comunicação ampla, dinâmica e multilíngue, seja na modalidade acadêmica prescritiva institucional ou na pesquisa integrada e para inovação ou no fortalecimento de redes e parcerias estratégicas e acordos institucionais como também na política de cátedras da internacionalização de fora pra dentro e de dentro pra fora. 

Secom: Que inovações podemos quanto aos aspectos de internacionalização em discussão?

A internacionalização de currículos em nível de graduação e pós-graduação pode repensar os PPCs dos cursos, beneficiando tanto os discentes nacionais como os internacionais. Pensamos a aproximação efetiva da Unilab dos países parceiros através de uma resolução (que está sendo discutida e em finalização) sobre os professores visitantes estrangeiros na Unilab, principalmente dos professores africanos, qualificando docentes, discentes e técnicos administrativos através da mobilidade acadêmica. 

O Plano Institucional da Internacionalização vai abarcar a tríade ensino-pesquisa-extensão. Nota-se esse movimento do sul global, mas também atentando ao norte, enfatizando de que queremos essa parceria principalmente com os países de Palops e Timor-Leste, mas também ampliando a prospecção de novas parcerias, com outras universidades e outros países africanos não-falantes de Português. 

Secom: Quais as principais pautas do GT de Acompanhamento de Estudantes Estrangeiros atualmente?

O que se pretende criar é um conjunto de normas para orientar os estudantes internacionais em relação aos seus direitos e deveres enquanto estudantes da Unilab. Por outro lado, não menos importante, tornar a Unilab essa plataforma de diálogo intercultural e epistêmico entre o Brasil e os países parceiros. As pautas atuais do GT de Acolhimento e Acompanhamento se concentram em seguintes pontos: um convívio cultural epistêmico e humano entre estudantes internacionais e estudantes nacionais, técnicos administrativos e professores; criar normas de protocolos de mecanismos que tornem a Unilab um lugar de confluências de atitudes antirracistas e não-xenófobas e contra outras formas de violência; tornar a presença africana no Maciço de Baturité e no Recôncavo Baiano uma referência de circulação de capital epistêmico e de respeito aos direitos.

Então nós precisamos fazer a nossa propaganda. A nossa universidade é única, a nossa universidade tem seus pilares no contato com culturas plurais e complexas da África de língua portuguesa e Timor-Leste. (…) Quando se fala de integração você está esperando do outro o que o outro traz dentro dessa cultura que você vai aprender junto. Nós precisamos reforçar isso a partir do processo que nós estamos construindo nessa gestão; a integração ainda constitui o calcanhar de Aquiles dentro da Unilab.

Já existiam políticas de acolhimento na Unilab, através do programa já existente na Propae, que faz também o acompanhamento em parceria com a Proinst. Vamos debater e aperfeiçoar essa política 

Secom: Como essa política de Internacionalização pode ou deve afetar as cidades sede dos campi (Redenção, Acarape, São Francisco do Conde)? 

Pretende-se construir, com esse GT, nessas cidades, uma referência de convívio multicultural e multiétnico entre povos com fortes laços históricos, porém com latitudes geográficas distantes. Pensar políticas de extensão, eventos esportivos, instâncias de mediação de conflitos comunitários, e outros mecanismos para inserção da comunidade universitária às comunidades ao redor dos campi, ou seja: das cidades-sede. Zelar pela integridade física e pela saúde do estudante internacional, criar fóruns de esclarecimentos de dúvidas em relação a legislações que lhes dizem respeito, criar redes e plataformas de comunicação que se responsabilizem por disseminar corretamente a história da África e a vida cotidiana dos povos africanos e que falem da política e sociedade da África contemporânea. Neste quesito, estamos mobilizando a questão de ter uma Rádio Universitária como um dos pontos da agenda da Proinst, para que possamos ter a nossa voz sobre o que é África e quem são esses estudantes que vieram para cá. Sabemos que muito do imaginário social se passa sobre África como um lugar de fome, dos africanos como pobres coitados, etc. Nessas atividades de cátedra, tanto professores quanto estudantes estrangeiros poderiam criar cursos e ministrá-los para a comunidade interna e externa. Isso ajudaria bastante essa questão de desmistificação dessa homogeneização do continente africano, e de que todos os estudantes africanos são iguais, você não consegue definir quem é de nacionalidade guineense, quem é de nacionalidade angolana, moçambicana ou são tomense. 

Secom: Então, estamos num bom caminho?

Só pelo fato de sermos a Universidade brasileira com mais estudantes estrangeiros formados já é um grande passo de evolução, e que merece ser destacado. Esse é o primeiro ponto. O segundo: nós estamos num bom caminho sim, em pensar protocolos, diretrizes, planos institucionais de internacionalização, ao qual nós podemos apresentar como modelos, como pontos norteadores pra nossa internacionalização. Estes pontos vão reforçar a nossa reaproximação com os países parceiros, abrir os novos parceiros tanto os internacionais africanos quanto os europeus. A China é um dos parceiros potentes, nós tínhamos uma cooperação com Macau voltada a qual voltamos a rever agora, temos novos países tentando fazer parte dessa plataforma intercultural que é a Unilab. Estamos sim num bom caminho, estamos trabalhando a todo vapor para que isso se concretize e seja uma realidade.

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