Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira
Universidade Brasileira alinhada à integração com os países membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)

Inauguração do Centro Cultural Carolina Maria de Jesus marca abertura do VI Festival das Culturas da Unilab

Data de publicação  20/10/2022, 15:58
Postagem Atualizada há 1 mês
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Mesa de abertura do VI Festival das Culturas da Unilab. Da esquerda para a direita: pró-reitor de Extensão, Segone Cossa; representante da Secult-CE, Jéssica Ohara; reitora em exercício da Unilab, Cláudia Carioca; e coordenação de Arte e Cultura, Nixon Araújo. Foto: Secom.

O Centro Cultural Carolina Maria de Jesus e o Sankofa Varandão Cultural são os novos equipamentos culturais da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), localizados no Campus das Auroras, em Redenção/CE. A inauguração dos espaços marcou a abertura do VI Festival das Culturas da Unilab, que ocorre de 19 a 21 de outubro. Confira a programação.

Com o tema “Afeto como fio condutor de solidariedade”, o festival celebra o fim do distanciamento social ao valorizar o afeto, a arte e a cultura de comunidades originárias e dos países da integração lusófona. No campus dos Malês, o evento – que aconteceria na mesma data – foi adiado em memória e em respeito ao estudante Dabana Victor Bedam.

Cláudia Carioca, reitora em exercício da Unilab. Foto: Secom.

Reitora em exercício da Unilab, a professora Cláudia Carioca destacou a alegria em participar de um evento tão caloroso, após dois anos de edições on-line. A gestora sublinhou a diversidade e o diálogo que perpassam a universidade e que devem dar o tom dos usos dos novos equipamentos culturais. “Queremos agregar todos aqueles da forma como se autodeclaram, produzindo, atuando naquilo que desejam. Não podemos cercear e esta é a gestão que está junto, do diálogo. A Unilab é festa, conhecimento, espaço em que nós podemos ser nós mesmos”, declarou.

Segone Cossa, pró-reitor de Extensão, Arte e Cultura. Foto: Secom.

Pró-reitor de Extensão, Arte e Cultura, Segone Cossa celebrou a conquista do Centro Cultural e Varandão. “Com esses equipamentos, a Unilab de fato tem um lugar para celebrar a cultura e a arte como coisas vivas, com interculturalidade, trocas simétricas entre os países africanos e o Brasil. Contamos com vocês para fazer desse lugar um ponto de encontro”, disse.

O coordenador de Arte e Cultura, Nixon Araújo, considerou que o afeto e a ocupação da comunidade acadêmica e de todos do Maciço de Baturité vão transformar de fato os equipamentos culturais num ponto de encontro e cultura. “O afeto transforma nossas relações e lugares em realmente nossos”, afirmou. Em sentido semelhante, a estudante Preta Borboleta, que compõe o Diretório Central Estudantil (DCE), falou a partir de sua identidade de pessoa preta e periférica. “Ocupar esse lugar é uma resistência. Por uma arte decolonial, afrorreferenciada e das margens!”, sintetizou.

Estiveram também presentes à mesa de abertura do Festival das Culturas a representante da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará, Jéssica Ohara, e o secretário de Cultura de Redenção, João Victor de Castro.

Carolina Maria de Jesus: inspiração afetiva, teórica e política

Estudante de Letras – Língua Portuguesa Jandira Dala e professora Vera Rodrigues durante palestra sobre Carolina Maria de Jesus. Foto: Secom.

Antrópologa e docente da Unilab, Vera Rodrigues proferiu a palestra “Carolina Maria de Jesus: inspiração afetiva, teórica e política”, com a mediação da estudante de Letras – Língua Portuguesa Jandira Dala.

Moradora da favela do Canindé, zona norte de São Paulo, Carolina Maria de Jesus trabalhava como catadora de papel e registrava o cotidiano da comunidade em cadernos que encontrava no lixo. Publicado em 1960, o livro “Quarto de despejo: diário de uma favelada” foi traduzido para 16 idiomas.

Plateia. Foto: Secom.

Vera Rodrigues relembra seu “encontro” com a escritora, há 30 anos, em um sebo de Porto Alegre/RS. “Estava buscando referências para ser quem eu era destinada a ser e conheci Carolina, com uma escrita lúcida e sempre atual”, conta, mostrando o exemplar de “Quarto de despejo” que guarda há três décadas.

“Assim como as reflexões de Carolina Maria de Jesus, que o Centro Cultural nos inspire a refletir afetiva, teórica e politicamente. Nós, que já vivenciamos quartos de despejo na vida, que não fomos convidados para a sala de visitas, mas abrimos portas com as cotas étnico-raciais, por exemplo”, articula Rodrigues.

Outro ponto de contato entre a escritora e as gerações atuais é seu ensinamento de postura frente ao mundo. “Que Carolina inspire o olhar para o nosso contexto, nosso país, nós mesmos com respeito e dignidade. Os estudantes me perguntam se deveriam estar aqui [na universidade], se merecem estar aqui, e eu respondo ‘Esteja e ocupe esse lugar com dignidade e respeito’”, afirmou.

Novos equipamentos

O Centro Cultural Carolina Maria de Jesus conta com sala especial para ensaios, com isolamento acústico; e sala multiuso, que pode ser usada para apresentações culturais, palestras, mesas-redondas, entre outros eventos.

Já o Sankofa Varandão Cultural se propõe a abrigar rodas de capoeira, cirandas, rodas de samba e também a ser um espaço de convivência da comunidade acadêmica.

Exposição “Narrativas sensíveis”, no Centro Cultural Carolina Maria de Jesus.

Os nomes foram escolhidos por estudantes, técnicos e professores, numa votação democrática. Carolina Maria de Jesus foi uma escritora, compositora e poeta brasileira, consagrada por seu livro “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada”, publicado em 1960. Sankofa, por sua vez, trata-se de um ideograma africano representado por um pássaro com a cabeça voltada para trás ou também pela forma de duas voltas justapostas, espelhadas, lembrando um coração. A etimologia da palavra, em ganês, inclui os termos san (voltar, retornar), ko (ir) e fa (olhar, buscar e pegar), representando um retorno ao passado para ressignificar o presente.

Apresentação do grupo Pérolas do Índico. Foto: Secom.

Programação do VI Festival das Culturas

Apresentação da Escola Livre de Música de Redenção. Foto: Secom.

A programação do Festival das Culturas é construída junto com a comunidade acadêmica e, por isso, apresenta uma importante diversidade. São apresentações musicais, como as da Escola Livre de Música de Redenção, Grupo de Choro da Uece e Grupo de Música Percussiva Acadêmicos da Casa Caiada; as mostras Integrarte de Artes Visuais, Integrarte de Audiovisual e Coração de Estudante; oficinas de tranças e penteados, sobre sentidos do brincar na cultural afro-diaspórica, entre outras; danças, performances, desfile com trajes e peças africanas. E a Feira Criativa, com exposições de artistas e artesãos do Maciço de Baturité, além da venda de comidas típicas dos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) que enviam estudantes para a Unilab: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

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