Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira
Universidade Brasileira alinhada à integração com os países membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)

Aprovada proposta de Licenciatura Intercultural Indígena da Unilab, pelo Parfor Equidade

Por Equipe de Comunicação Unilab
Data de publicação  20/03/2024, 09:01
Postagem Atualizada há 2 anos
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A Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) teve aprovada com nota máxima uma proposta de Licenciatura Intercultural Indígena na ampla concorrência do edital 23/2023 Parfor Equidade. Serão ofertadas 80 vagas para indígenas com garantia de bolsas de estudos ao longo da graduação. O processo seletivo está sendo construído em parceria com a Pró-Reitoria de Graduação e o movimento indígena e a previsão de início do curso é em agosto deste ano.

O curso pretende formar professores-pesquisadores em uma perspectiva interdisciplinar, que permita desenvolver saberes e fazeres voltados ao ensino, em articulação com a prática da pesquisa, bem como a preservação e valorização da cultura e dos valores ancestrais dos povos originários que habitam o território brasileiro. O curso se propõe, ainda, a promover a formação de professores aptos a lidar com a transformação do conhecimento através das práticas educativas e de pesquisa no meio acadêmico-científico, em diálogo com os saberes tradicionais dos povos indígenas.

O curso – que ficará sediado na Unidade Acadêmica dos Auroras, no município de Redenção/CE – terá duração de oito semestres, com o tempo de integralização mínima de quatro anos e máximo de cinco anos e meio. A carga horária total é de 3.515 horas.

O objetivo da proposta deste curso é promover reparação histórica aos povos indígenas por meio do ingresso, permanência e conclusão da Licenciatura Intercultural Indígena ofertada pela Unilab na modalidade Parfor Equidade. Essa ação é resultado da determinação do Ministério da Educação (MEC) que, por intermédio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), busca incrementar e fortalecer a formação de professores, em licenciaturas diferenciadas, específicas, bilíngues e interculturais, para atendimento das redes públicas de educação básica e das redes comunitárias de formação por alternância, que oferecem educação escolar indígena, quilombola e do campo, assim como educação especial inclusiva e educação bilíngue de surdos.

A proposta pedagógica deste curso na Unilab foi produzida por um Coletivo de Trabalho Pedagógico que foi constituído por caciques, pajés, lideranças, professores e estudantes indígenas, representantes de instâncias do Movimento Indígena como a Organização dos Professores Indígenas do Ceará/OPRINCE; o Coletivo de Estudantes Indígenas da Unilab/COESI; a Rede Indígena de Memória e Museologia Social – RIMEMUS – Brasil; a Federação dos Povos e Organizações Indígenas do Ceará/FEPOINCE; a Organização Indígena Karão Jaguaribaras/ OINKARAS (Aldeia Feijão – Aratuba– CE); e, ainda, docentes e servidores técnico-administrativos que trabalham na Unilab.

Presença estudantil indígena na Unilab

Desde a sua fundação, em 2010, a Unilab tem a formação de professores como um esteio basilar de sua missão como instituição pública de ensino superior. As características do curso de Licenciatura Intercultural Indígena a ser ofertada pela Unilab, na modalidade Parfor Equidade, emergem dos princípios curriculares previstos pela Legislação Educacional Escolar Indígena Diferenciada, Específica, Intercultural e Bilíngue. Ou seja, as características do curso atenderão às diversas funções demandadas para atuar no contexto da Educação Escolar Indígena, “com vistas ao exercício integrado da docência, da gestão e da pesquisa assumida como princípio pedagógico”, conforme prescrito pelo inciso I, do artigo 3º, da Resolução CNE/CP nº 1, de 7 de janeiro de 2015.

Para tanto, como aponta o coletivo de trabalho pedagógico que construiu essa proposta da Unilab, destaca-se uma formação integral/omnilateral pautada na Pedagogia da Alternância e estruturada metodologicamente em ciclos formativos, compostos de um Tempo Ambiente Acadêmico (TTA) e de um Tempo Território Indígenas (TTI), que se alternam, oportunizando aos cursistas indígenas a articulação entre o tempo de estudo e o tempo de trabalho, e ainda, potencializando à relação teoria/prática, entrelaçando os conhecimentos científicos e tecnológicos com os saberes indígenas. “A alternância não diz respeito apenas a espaços (universidade/escola e comunidade), mas à natureza indissociável do conhecimento, ou seja, da práxis educativa como síntese dialética entre universidade/aldeias indígenas”, explica o docente Roberto Franco, indicado pelo coletivo de trabalho pedagógico para ser coordenador da Licenciatura Intercultral Indígena na Unilab, na modalidade Parfor Equidade.

Nesse sentido, o curso apresenta uma matriz pedagógica construída a partir da Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996, que busca alinhar as normativas da Resolução CNE/CP Nº 02/2019, que define as diretrizes curriculares nacionais para a Educação Básica e institui a Base Nacional Comum para a Formação Inicial de Professores da Educação Básica (BNC-Formação) com as especificidades da educação indígena.

“A criação do Curso na Unilab expressa e reforça a intensidade da presença estudantil indígena na Universidade e a articulação da comunidade acadêmica com o movimento indígena cearense. A Unilab é a universidade cearense que mais acolhe discentes indígenas, e há a vontade dos povos e comunidades indígenas de uma presença estudantil ainda maior na instituição. Em diferentes momentos, várias lideranças indicam a importância de uma ampliação da presença de discentes indígenas na Unilab”, aponta Franco. Ainda segundo o docente, nesse contexto, o curso atende demandas do movimento indígena, e particularmente, da Organização dos Professores Indígenas do Ceará (OPRINCE), mas também do Coletivo de Estudantes Indígenas da Unilab (COESI), da Federação dos Povos e Organizações Indígenas do Ceará (FEPOINCE), da Associação das Mulheres Indígenas do Ceará (AMICE) e da Organização das Juventudes Indígenas do Ceará.

“O curso fortalecerá as relações entre a Universidade e os povos e comunidades indígenas, através dos vetores do ensino, da pesquisa e da extensão, considerando-se particularmente as escolas indígenas, fomentando uma interlocução entre diferentes agentes, epistemologias, culturas e conhecimentos”, afirma o professor Roberto Franco. Ele destaca ainda que a implementação deste curso tem o potencial de impactar ampla e positivamente a realidade da educação indígena no Ceará, contribuindo para uma melhor qualificação dos serviços públicos de educação básica, vinculados à diversidade de povos, territórios e comunidades indígenas locais, no estado.

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