Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira
Universidade Brasileira alinhada à integração com os países membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)

Unilab inaugura o Banco Vermelho: símbolo internacional de combate ao feminicídio e à violência contra mulher

O objetivo desta ação é prevenir, conscientizar e dar visibilidade à luta contra a violência de gênero, ocupando espaços públicos com um alerta silencioso e potente.

Data de publicação  16/04/2026, 17:06
Postagem Atualizada há 12 horas
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Na última terça-feira, dia 14 de abril, no pátio do 2º andar do campus das Auroras, da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), aconteceu a inauguração do Banco Vermelho – um símbolo internacional de combate ao feminicídio e à violência contra a mulher, que é instalado em locais públicos como memorial e alerta. Estiveram presentes nesta solenidade de extrema relevância em um cenário de violência constante contra as mulheres não só no Brasil, mas em todo o mundo, o reitor e a vice-reitora da Unilab, Roque Albuquerque e Eliane Gonçalves, a deputada estadual Larissa Gaspar, a Procuradora da Mulher de Fortaleza e vereadora Adriana Almeida; a procuradora da Mulher de Redenção, Cristina Fernandes e a ouvidora da Unilab, Mônica Saraiva, além de todos/as Pró-reitores/as e superintendeste da universidade, deixando mais do que evidente que essa instituição está diretamente envolvida nesta luta contra o femicídio.

O banco de cor vermelha (cor do sangue) visa conscientizar sobre a gravidade do tema e fornecer informações de ajuda às vítimas de violência. Ou seja, funciona como um local de memória e resistência contra a violência de gênero. Desta forma, o movimento busca, de maneira simbólica, por meio de bancos gigantes ou convencionais em espaços de grande circulação, provocar a reflexão (“sentar para refletir”) e a ação (“levantar para agir”), para prevenir crimes de gênero.

Instituições de várias naturezas têm aderido a este movimento numa ação coletiva que se junta ao Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio. Agora, a Unilab se junta a este movimento transnacional.

“Ações como essas (do Banco Vermelho) são ações para dar luz a um problema seríssimo no mundo. No ano passado nós tivemos 1.568 casos de feminicídios. Isso não pode ser naturalizado.  E não são só os números, é a crueldade como vem se matando as nossas mulheres”.
Vereadora Adriana Almeida

“A Unilab já tem esse perfil. Nós temos as nossas mulheres em postos relevantes, de pró-reitoras, aqui a professora Cláudia Carioca (Pró-reitora de Políticas Afirmativas e Estudantis/Propae), a Rebeca Cavalcante (Pró-reitora de Gestão de Pessoas/Progep) e várias outras mulheres que estão nas chefias de diversos setores (da instituição). O que mostra que a Unilab já é uma universidade com essa preocupação também.  Mas estar em cargo de poder não é o suficiente. A gente precisa não se sentir acuada para poder dizer como se sente e como a gente pensa”, destacou a vice-reitora Eliane Gonçalves.

Para além dessa representatividade, a Unilab tem hoje, segundo sua ouvidora, um canal de escuta e apoio. “Dentro da Unilab nós somos esse canal de escuta, de acolhimento e de encaminhamento dos casos de assédio ou importunação sexual. Então, a gente oferece um ambiente seguro de escuta e de acolhimento, um ambiente sigiloso, em que tudo é tratado com muito respeito, cuidado, sensibilidade, para que a gente possa avançar nessa luta”, disse a ouvidora Mônica Saraiva e acrescentou: “Somos parceiros e parceiras nessa luta, colocando à disposição as ferramentas que nós temos, sejam os nossos espaços como a ouvidoria, seja a própria reitoria, que se posiciona e diz que não compactura com isso”.

Os números da violência contra a mulher no Brasil são estarrecedores, daí a urgência do tema e a necessidade premente de ações de ordem prática e simbólica. Em 2025, registrou-se um recorde de mortes: 1.568 mulheres foram assassinadas, um aumento de 4,7% em relação a 2024. Mais de quatro mulheres foram assassinadas diariamente em 2025 por motivações de gênero. Algumas análises apontam um aumento de até 34% no total de casos (consumados e tentados) entre 2024 e 2025, totalizando 6.904 vítimas.

“Quando a gente olha para esse banco, a gente vai lembrar que todo cidadão e cidadã tem que ter um compromisso efetivo com a proteção da vida das mulheres. Então, parabéns a Unilab, em nome da vice-reitor Eliane e do reitor Roque”.
Larissa Gaspar – Deputada Estadual.

Essa é, portanto, uma luta de todas as pessoas e em todos os espaços. “A luta que a gente faz no dia a dia em defesa da vida das mulheres, ela se faz em todos os espaços. É na rua, é na escola, é na universidade, é no parlamento, é na feira, é no terminal de ônibus. E é isso que a gente, da Procuradoria Especial da Mulher da Câmara Municipal de Fortaleza, vem fazendo no dia a dia. Chegando cada vez mais próximo das nossas mulheres, dialogando que elas têm uma rede de apoio para que a gente não naturalize a violência e, principalmente, o feminicídio”, disse a vereadora Adriana Almeida.

E concluiu: “Ações como essas (do Banco Vermelho) são ações para dar luz a um problema seríssimo no mundo. No ano passado nós tivemos 1568 casos de feminicídios. Isso não pode ser naturalizado.  E não são só os números, é a crueldade como vem se matando as nossas mulheres.  Parece que não se tem mais medo do que pode acontecer, expondo cada vez mais o feminicídio como algo natural.  Coisas que a gente achava que não viria mais em um país democrático, em um país que a gente tem governos progressistas e a gente está vendo cada vez mais esse requinte de crueldade ao tirar a vida das nossas mulheres”.

“Desde a tipificação da lei em 2015, mais de 13 mil mulheres foram mortas por feminicídio no Brasil.”

A deputada Larissa Gastar agradeceu e reiterou a importância do engajamento e apoio desta universidade: “Quando a gente olha para esse banco, a gente vai lembrar que todo cidadão e cidadã tem que ter um compromisso efetivo com a proteção da vida das mulheres. Então, parabéns a Unilab, em nome da vice-reitor Eliane e do reitor, Roque, por essa iniciativa, por esse compromisso de chamar atenção para uma causa que é tão urgente para o nosso país, que é o enfrentamento à violência contra a mulher, o enfrentamento ao feminicídio. Isso, infelizmente, é uma chaga que ainda demonstra o nosso atraso civilizatório, essa violência que nos marca todos os dias”.

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