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Professora representa Unilab em missão de pesquisa na Universidade Pedagógica, em Moçambique

Por Equipe de Comunicação Unilab
Data de publicação  29/06/2016, 14:20
Postagem Atualizada há 10 anos
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Professora Vera Rodrigues ministra curso para docentes da Universidade Pedagógica de Nampula. Foto: acervo pessoal.

A professora do Instituto de Humanidades e Letras (IHL) da Unilab, Vera Rodrigues, esteve na Universidade Pedagógica, na cidade de Nampula, Moçambique, para desenvolver o projeto de pesquisa “História de Escravatura e o seu impacto na região norte de Moçambique e nos estados de Bahia e Ceará – Brasil”, fruto de convênio entre Unilab, Universidade Pedagógica de Nampula e Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB). O projeto envolve pesquisadores de ambos os países, das três universidades, e tem como responsáveis, além de Vera Rodrigues, o sociólogo Mário Jorge Caetano Brito dos Santos e o antropólogo Martinho Pedro, da Universidade Pedagógica de Nampula; e o arqueólogo Carlos Costa, da UFRB.

A visita durou treze dias, no mês de maio, e a docente conheceu a universidade e lugares históricos que são referência para entender a memória, a partir do tráfico dos povos escravizados no período colonial, como a ilha de Moçambique, onde se localizavam antigos portos de embarque de escravizados para o continente americano, especialmente para o Brasil.

Palestra para estudantes do curso de Sociologia com habilitação em Antropologia. Foto: acervo pessoal.

O projeto parte dos laços históricos entre Brasil e Moçambique, advindos do processo colonial para estabelecer análises, a partir do campo da historiografia, museologia e antropologia, sobre possíveis impactos regionais oriundos da dinâmica da escravidão no passado e no presente. Para isso, serão desenvolvidas coleta e análise de dados documentais na região norte de Moçambique, especificamente nas províncias de Nampula (Ilha de Moçambique, Mossuril (Matibane) Nacaroa, Memba, Monapo (Utuculo e Cambira) e Angoche. Cabo Delgado (Ibo, Ilhas Quirimbas Mocimboa da Praia e o Planalto dos Makonde) e Niassa, na região de Metarica. No Brasil, no que concerne ao estado do Ceará, o projeto buscará analisar antropologicamente o impacto do processo de escravidão, pela via do estudo etnográfico de trajetórias de famílias negras cearenses e de comunidades quilombolas na perspectiva das suas memórias coletivas, identidade etnicorracial e processos de luta por garantia de direitos socioculturais e territoriais. O universo de pesquisa se dará nas comunidades quilombolas de Água Preta e/ou Conceição dos Caetanos (município de Tururu) e Comunidade de Alto Alegre (município de Horizonte). No tocante às famílias negras, o projeto se detém no bairro Jardim Iracema (Fortaleza) e na cidade de Redenção (Maciço do Baturité), que são locais possuidores de lastro histórico com o tema escravidão e abolição, além de significativa presença de população negra. Em 2014 e 2015 a delegação de Nampula esteve na Unilab para expor a proposta de pesquisa conjunta.

Outras atividades

A professora Vera Rodrigues também aproveitou os dias em Moçambique para ministrar o curso de formação docente “Antropologia Contemporânea”, voltado para os docentes do Departamento de Ciências Sociais: sociólogos, antropólogos, filósofos e historiadores. Já para os estudantes, a professora realizou a palestra “Antropologia contemporânea: desafios para o século XXI”.

“Posso dizer que fui muito bem acolhida com demonstrações de interesse nos horizontes de cooperação entre nossas universidades e países. A depender da configuração do quadro político nacional no que se refere às relações Brasil-África, há o interesse comum em desenvolver passo a passo ações conjuntas. Por exemplo, solicitaram-me a elaboração da continuidade do curso de formação docente na área da antropologia, como uma ação conjunta inicial. Depois, estudantes e docentes gostariam de consolidar processos de intercâmbio e mobilidade acadêmica. Em breve, vou apresentar à comunidade acadêmica da Unilab, em formato de um evento de socialização da experiência da viagem, elementos para pensarmos os laços socioculturais Brasil-Moçambique”, conta.

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