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TCC da graduação em Sociologia traz resumo traduzido em Língua Guineense/Kriol

“A instituição do português como a única língua de ensino-aprendizagem na Guiné-Bissau: reforço da unidade nacional ou perpetuação da colonialidade?” é o tema do trabalho de Braima Sadjo.

Data de publicação  23/12/2021, 14:33
Postagem Atualizada há 3 semanas
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No último dia 17, o discente Bissau-Guineense Braima Sadjo, da licenciatura em Sociologia (Unilab/CE), sob a orientação do professor Eduardo Gomes Machado, defendeu o Trabalho de Conclusão do Curso (TCC) entitulado “A instituição do português como a única língua de ensino-aprendizagem na Guiné-Bissau: reforço da unidade nacional ou perpetuação da colonialidade?”. Um elemento inovador e relativamente inédito que o trabalho traz é o fato do TCC ter o resumo traduzido em Língua Guineense/Kriol. Habitualmente, na academia, os resumos tem sido escritos em Língua Inglesa ou Francesa.

 Ao justificar essa tradução, o discente afirma: – “É importante frisar que não se trata de uma aversão à Língua Inglesa ou Francesa, até porque fui professor de Inglês há alguns anos no meu país, e falo Francês também; mas essa decisão se justifica pela própria natureza e proposta decolonial que orienta o nosso trabalho”. Nesse sentido, afirma, “tal como Paulin Houtondji defende, nós também acreditamos que não se pode romper com a lógica colonial, enquanto continuarmos a utilizar e reproduzir sistemas de julgamento cujo mecanismo hierarquizador é centro-periferia ou norte-sul global, desvalorizando por conta própria nossa história, cultura, língua, produção e referência, etc.” Nesse sentido, não cabe “pensarmos que o inglês ou francês são mais completos ou legítimos na academia do que as línguas nativas africanas”. Braima afirma, ainda, que “trazer as línguas nativas africanas para academia é um passo fundamental e importantíssimo para desconstrução e ruptura epistêmica colonial que se pretende. Tanto quanto Inglês ou Francês, o Crioulo também é uma língua para a educação e para a ciência”.

Ao mesmo tempo, afirma que todo trabalho acadêmico tem o seu principal público alvo, e o seu são os Bissau Guineenses, salvo algumas exceções. Por isto, é importante considerar “a própria realidade do país onde mais de 90% dos guineenses falam crioulo, 27,1% são falantes da língua portuguesa e se calhar em torno de 1 ou 2% somente falam inglês ou francês”. Assim, complementa Braima, “para mim, não faria sentido algum se o meu resumo fosse traduzido em uma língua que não fosse o crioulo guineense”.

Braima Sadjo, concludente em Sociologia pela Unilab (CE).

O trabalho “discute o uso do português como a única língua de ensino-aprendizagem nos países africanos marcados pela colonização portuguesa, em particular Guiné-Bissau”, analisando “as resistências e críticas a isso, considerando as suas implicações no processo de ensino-aprendizagem”. Para tanto, estabelece um diálogo entre as perspectivas de Amílcar Cabral e de Paulo Freire no que tange à “questão da língua mais apropriada e eficaz para a alfabetização no contexto guineense”. Ele foi aprovado com nota máxima, por banca composta pelo professor orientador, Eduardo Machado, e também pelos docentes Janaína Campos Lobo (Instituto de Humanidades – IH/Unilab CE),  Alexandre António Timbane (Instituto de Humanidades e Letras – IHL/Unilab Malês) e Fabrício Monteiro Neves (Universidade de Brasília – UnB).

 

 

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