Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira
Universidade Brasileira alinhada à integração com os países membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)

Live de lançamento do livro Ensaios Interdisciplinares em Humanidades (vol.9) será dia 28/08, às 19h

Por Equipe de Comunicação Unilab
Data de publicação  13/08/2026, 12:26
Postagem Atualizada há 4 horas
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No dia 28 de agosto, a partir das 19h, acontece live de lançamento do livro digital Ensaios Interdisciplinares em Humanidades (volume 9), MIH – dez anos de produção de conhecimento: África, Brasil e Ceará, organizado pelos docentes da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) Arilson dos Santos Gomes, Basilele Malomalo e Luís Ferreira. A live acontece no canal oficial da Unilab, no YouTube.

Composto por 21 capítulos, o livro é uma construção coletiva oriundo da sede do Programa Interdisciplinar em Humanidades (Posih) /Mestrado Interdisciplinar em Humanidades (MIH), situado em Redenção e Acarape, no Estado do Ceará, na Unilab. A obra, elaborada nesse espaço, advém das investigações de pesquisadores e pesquisadoras do Brasil, interior, estados e capitais diferentes, e de outras partes do mundo, em especial, dos países africanos lusófonos, que estabeleceram no Nordeste seu locus de atuação; e a Unilab como um lugar social. Um local em que propostas em comum instauram métodos e as escritas se organizam, evidenciando, assim, que o espaço social se constrói pelas relações sociais num determinado espaço geográfico.

A obra a é composta por textos da turma de 2024 do Posih, docentes do MIH/Unilab e de convidada e convidados externos da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN), Campus de Mossoró. Conforme apresentação do livro, “a convergência epistemológica é o alicerce das escritas deste e-book, possibilitando encontros entre os campos da antropologia, educação, história, literatura, sociologia, artes, museologia, turismo, enfim, dos campos das humanidades, que, em última análise, em que pesem os desafios, buscam problematizar como o conhecimento, tratado como bem comum, pode ser emancipador, mesmo em um mundo onde a Inteligência Artificial (IA), cada vez mais, possa parecer um desafio corajosamente enfrentado pela ética”.

O livro é dividido em quatro seções. A primeira delas é “Educação, Formação e Ensino”, cujo mote das discussões centra-se na Educação de Jovens e Adultos e nas ferramentas educativas. A segunda, “Experiência, Saber e Relações Étnico-Raciais” traz reflexões sobre as sociedades africanas e trata das resistências indígenas no Ensino Superior, além de problematizar o reconhecimento das populações negras no ensino e como os currículos escolares tematizam a interculturalidade.

A outra seção, denominada “Gênero, Conhecimento e Emancipação”, traz recortes delimitados a África, ao Brasil e ao Ceará, envoltos aos prismas culturais, históricos, políticos e educacionais. A seção evidencia temáticas de gênero presentes nas pesquisas do MIH. Por fim, a seção “Memória, Cotidiano e Resistência” mantém foco no Nordeste brasileiro e na África lusófona, problematiza os apagamentos históricos nas expressões artísticas de espaços de memória, além de evidenciar as sociabilidades negras.

O livro digital Ensaios Interdisciplinares em Humanidades (volume 9), MIH – dez anos de produção de conhecimento: África, Brasil e Ceará é gratuito e pode ser acessado na página da editora Pontes.

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vos sem passado ou futuro. Consideram os impactos e repercussões
da Constituição de 1988, momento de abertura para avanços no reco-
nhecimento dos direitos indígenas. Nesse contexto, inovações legisla-
tivas, renovações curriculares inclusivas na educação básica, nos cur-
sos de graduação, além do acesso ao Ensino Superior, compõem ações
de reparação histórica em favor de povos e culturas que foram sub-
jugados no processo de construção do Brasil. Situações tensionadas
com as ações afirmativas.
No terceiro capítulo dessa seção, Francisco Danierbes de Sousa
Santos e Roque do Nascimento Albuquerque, em “A Lei 10.639/03 e a
invisibilização das africanidades no currículo escolar: um estudo so-
bre práticas pedagógicas e identidades negras em escolas do Ceará”,
evidenciam que a Lei 10.639/03, promulgada em 2003, representou
um marco histórico, ao tornar obrigatório o ensino da história e cultu-
ra africanas e afro-brasileiras nas escolas do país. Entretanto, passadas
duas décadas, sua implementação ainda enfrenta entraves significa-
tivos, sobretudo, no Estado do Ceará, onde discursos de mestiçagem
e branqueamento legitimaram o silenciamento da identidade negra
e limitaram a valorização das africanidades no currículo. O objetivo
geral é analisar, a partir da literatura científica, os avanços e os desa-
fios da implementação da Lei 10.639/2003 no contexto cearense, des-
tacando como práticas pedagógicas, políticas institucionais e repre-
sentações sociais interferem em sua efetividade.
No texto denominado: “O Selo Escola Antirracista e os desa-
fios na promoção da equidade racial nas escolas públicas cearenses”,
Lilian Maria da Silva Mello e Francisco Vítor Macêdo Pereira denun-
ciam que, no campo educacional, o racismo se manifesta em currícu-
los eurocentrados, na invisibilização das culturas afro-brasileiras e em
práticas discriminatórias diversas; impactando o acesso, a permanên-
cia e o reconhecimento pleno de estudantes negras(os). De acordo
com a autora e o autor, apesar de avanços, como a Lei nº 10.639/2003,
que torna obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira

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e africana em todas as escolas, as conquistas e garantias são ainda
limitadas, marcadas por resistências institucionais, formação docen-
te insuficiente e manutenção de paradigmas excludentes. No Ceará,
o Movimento Negro e educadores(as) engajados(as) impulsionaram,
em 2023, a criação do Selo Escola Antirracista, como política pública
educacional que assume o objetivo de reconhecer e incentivar práticas
pedagógicas comprometidas com a equidade racial nas escolas públi-
cas de todo o estado.
Em “Um novo tempo apesar dos perigos”: a escrita da histó-
ria do reconhecimento das populações negras no Ceará”, Maria Lucy
dos Santos Lima e Arilson dos Santos Gomes problematizam as nuan-
ces sociais do protagonismo político do movimento negro no Ceará,
por meio dos pensamentos dos membros e membras do Grupo União
e Consciência Negra (Grucon) e suas ações para o reconhecimento
da presença da identidade negra e a importância da educação das rela-
ções étnico-raciais nesse processo. Com foco em Maranguape, municí-
pio localizado a 27 quilômetros de Fortaleza, o estudo avalia a imple-
mentação da temática nos currículos da cidade, evidenciando um novo
tempo, ante os apagamentos históricos dos saberes e das culturas
das populações negras.
A seção é encerrada com o texto: “A lei 10.639 e reflexões sobre
a importância da interculturalidade no desenvolvimento da educa-
ção para as relações étnico-raciais”, de Vivian Silva Rodrigues Vidal
e Mara Rita Duarte de Oliveira Berraoui. As autoras buscam refletir
acerca dos desafios enfrentados hodiernamente pelos docentes, diante
do panorama socioeconômico, político e cultural em que se encontra
o Brasil, bem como analisar a contribuição da legislação e das dire-
trizes na busca de uma educação mais igualitária. Para as autoras,
a efetivação da educação para as relações étnico-raciais requer mais
do que a inclusão de conteúdos programáticos, exige uma revisão crí-
tica do currículo, das práticas pedagógicas e da formação docente.

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A terceira seção, direcionada as discussões de “Gênero”, se inicia
com reflexões realizadas em continente africano. De autoria de Maria
Iully Melo Silva e Basilele Malomalo, o capítulo intitulado: “Rabidancia:
múltiplas práticas comerciais e redes sociolaborais em Cabo Verde”,
a autora e o autor propõem uma sistematização preliminar sobre a di-
versidade de práticas comerciais sobre a rabidancia em Cabo Verde,
sobretudo, das dinâmicas que se desenvolvem no espaço urbano
de Santa Maria, na Ilha do Sal. Buscamos compreender como esse fe-
nômeno se expressa no cotidiano das mulheres que atuam nesse setor,
evidenciando tanto as estratégias de trabalho quanto as redes socio-
laborais. O estudo parte de um trabalho de campo realizado em 2023,
junto a vendedoras de gêneros alimentícios, cuja experiência permitiu
observar diferentes formas de organização da rabidancia e os modos
como essas trabalhadoras articulam interações e trocas com outros
perfis de vendedores(as) presentes no mesmo território.
No texto seguinte, Ana Raquel Silva Reginaldo e Natalia
Cabanillas aportam no Estado do Ceará, em Redenção, de maneira
mais objetiva, na Unilab. No ensaio “A experiência da diáspora e sua
influência na identidade e na trajetória acadêmica de mulheres negras
estudantes da Unilab/CE”, as autoras apresentam um panorama rele-
vante em relação ao recorte de gênero e raça presentes na Universidade
da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab),
criada como projeto de cooperação Sul-Sul, que promove integração
acadêmica e cultural entre o Brasil e países da Comunidade dos Países
de Língua Portuguesa (CPLP), em especial, os Palop e o Timor-Leste.
Localizada no Ceará e na Bahia, tem como missão também ampliar
o acesso à educação superior de populações historicamente margi-
nalizadas. Nesse contexto, as mulheres negras se destacam: no Ceará
(Redenção e Acarape), representam 33,92% do corpo discente, cons-
tituindo a maioria da universidade. Diante disso, o capítulo busca
refletir sobre a Unilab como espaço diaspórico e de resistência, res-

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saltando desafios e potencialidades na permanência acadêmica de mu-
lheres negras.
No capítulo, “Políticas públicas e combate à violência de gênero:
uma análise do Decreto n° 11.430, de 08 de março de 2023”, Isabelle
Barbosa Vasconcelos Campos e Mara Rita Duarte de Oliveira Berraoui
objetivam analisar a necessidade de políticas públicas de ações afir-
mativas de combate à violência de gênero, em especial, o Decreto n°
11.430/23. Para isso, utilizam a abordagem metodológica qualitativa,
através de levantamento bibliográfico. De acordo com as autoras, atra-
vés de pesquisas realizadas, pode-se perceber um maior índice de vio-
lência entre as mulheres com renda de até dois salários-mínimos, e,
diante disso, a criação de vagas de trabalho específicas para mulheres
vítimas de violência doméstica, torna-se uma medida que pode vir a
contribuir para o combate dessa problemática.
Logo em seguida, Lisandra de Freitas Moura e Edson Holanda
Lima Barboza, no texto “Entre a memória e o silêncio: a invisibilidade
das mulheres negras na história social do Ceará”, analisam a invisi-
bilidade histórica das mulheres negras na trajetória social do Ceará,
investigando como estruturas de poder, narrativas hegemônicas
e epistemicídios contribuíram para o apagamento de suas memórias
e experiências. A finalidade da pesquisa é reinscrever essas trajetórias,
destacando a relevância das práticas culturais, comunitárias e reli-
giosas como formas de resistência e de construção de protagonismo.
Os resultados evidenciam que a exclusão não decorreu de esquecimen-
tos fortuitos, mas de processos estruturais de silenciamento, e revelam
que, apesar da marginalização, as mulheres negras cearenses criaram
redes de apoio, ativismo e resistência cultural.
Margarida Lima de Moura Nascimento e Arilson dos Santos
Gomes, no texto: “Navegando nos “igarapés”: arqueologia da memória
e dos saberes tradicionais das mulheres do Maciço de Baturité/Ceará”,
apresentam um ensaio etnográfico decolonial no qual os saberes tra-

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dicionais femininos, indígenas, quilombolas e populares são modos
de ser e existir que confrontam narrativas hegemônicas. A arqueologia
da memória, que articula vestígios materiais como as urnas funerá-
rias pré-históricas com as práticas contemporâneas de mestras cera-
mistas, ilustra como o conhecimento é cultivado e transmitido de ge-
ração em geração. Através da convivência com lideranças femininas,
foi percebido que seus saberes não são apenas ofícios, mas uma lin-
guagem viva que sustenta a coletividade. Nesse sentido, o rigor cien-
tífico se manifesta na capacidade de reconhecer e valorizar a agência
intelectual e a contribuição desses sujeitos no processo de produção
científica das e com as populações tradicionais.
A terceira seção deste livro, se encerra com o capítulo: “Práticas
de alfabetização e letramento na EJA: caminhos de empoderamento
e emancipação de mulheres em Mulungu (CE)”, de Maria Halana Costa
Oliveira e Luís Ferreira. O texto busca responder à questão de quais
práticas pedagógicas têm sido adotadas por professoras da EJA
em Mulungu no processo de alfabetização de mulheres e como essas
práticas dialogam com suas realidades e trajetórias de vida. A autora
e o autor partem da hipótese de que as práticas pedagógicas desenvol-
vidas por professoras alfabetizadoras da EJA no município de Mulungu
incorporam elementos que dialogam com as realidades sociais, cul-
turais e afetivas das mulheres, contribuindo para processos formati-
vos mais significativos, com potencial emancipador e transformador
de suas trajetórias de vida. O objetivo central consiste em analisar
as concepções teóricas e as práticas pedagógicas adotadas por docen-
tes do município de Mulungu (CE) no processo de alfabetização e le-
tramento de mulheres da Educação de Jovens e Adultos.
Na quarta e última seção, os ensaios refletem sobre as resistên-
cias na história, nos espaços de memória, nas tensões que envolvem
o território, nas experiências do trabalho e da saúde, nas relações po-
líticas e no cotidiano vivido, passado e atual, cearense e mossoroense,
contra apagamentos e epistemicídios.

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No texto “É preciso decolonizar este museu: uma análise
das expressões artísticas no Museu Senzala Negro Liberto”, de autoria
de Jardel Sousa Inácio Lima e Larissa Oliveira e Gabarra, é evidenciado
que o legado da escravidão no Brasil permanece um campo de intenso
debate e revisão crítica, no qual instituições memoriais, como museus
e monumentos, desempenham um papel fundamental na construção
e na perpetuação de narrativas históricas, como as imagens visuais
– pinturas na parede do Museu Senzala Negro Liberto, em Redenção
(CE). O objetivo central do capítulo é demonstrar como a arte e a mu-
seologia local têm perpetuado visões racistas, retratando a libertação
da escravidão de forma benevolente, sexualizada e bestializando cor-
pos negros, reforçando estereótipos de subalternidade. O desenvolvi-
mento da pesquisa articula como a narrativa museal converge com a
narrativa redencionista da cidade, que edifica monumentos que glori-
ficam uma visão edulcorada do processo abolicionista, enquanto apaga
a agência e a luta dos próprios escravizados.
No capítulo subsequente, Aryana Costa, João Paulo de Souza
e Pedro Henrique da Silva Pereira nos brindam com o texto: “Reis,
artistas e abolicionistas: as trajetórias e sociabilidades de Rafael
Mossoroense da Glória e sua família na Mossoró Oitocentista (1852-
1904)”. O trabalho busca tensionar a narrativa oficial do fenômeno
abolicionista mossoroense, ao propor uma nova leitura centrada na fi-
gura do ex-escravizado Rafael Mossoroense da Glória e de sua família
– cuja participação na luta pela liberdade foi historicamente ofuscada
pela valorização da elite maçônica branca do período. Rafael desta-
cou-se na cidade de Mossoró (RN) como Rei da Irmandade do Rosário
dos Homens Pretos e como liderança abolicionista. Os resultados par-
ciais da investigação indicam uma centralidade dessa família entre
a população negra mossoroense oitocentista, permitindo posicioná-la
na história da cidade como agentes ativos na busca pela própria liber-
dade e de seus companheiros – conquista que se efetivou cinco anos

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antes da promulgação da Lei Áurea, em 30 de setembro de 1883, data
magna do abolicionismo local.
João Victor Sousa de Oliveira e Carlos Henrique Lopes Pinheiro,
em “Território, memória e turismo: caminho metodológico para com-
preender os desafios e as oportunidades em Flecheiras, Trairi (CE)”,
têm como objeto de pesquisa o território da comunidade de Flecheiras,
Trairi (CE), analisando as transformações causadas pelo turismo. O es-
tudo parte do contexto de crescimento turístico na região e seus im-
pactos nas dinâmicas culturais e sociais, focando na relação entre me-
mória, identidade e turismo. O objetivo geral dessa pesquisa é analisar
como os moradores da comunidade de Flecheiras, em Trairi, perce-
bem o turismo e seus impactos no território. A metodologia utilizada
é de caráter qualitativo, com viés etnográfico para captar as percep-
ções da comunidade sobre as mudanças e as estratégias de resistên-
cia e adaptação. A pesquisa, conforme os autores, pode revelar que,
embora o turismo traga benefícios econômicos, também gera tensões
em relação à preservação das tradições e do território simbólico.
No capítulo seguinte, Naira Nogueira da Silva Ferreira e Roberto
Kennedy Gomes Franco apresentam uma síntese da dissertação
de mestrado de título: “Necropolítica do SUS em tempos de Covid-19
para pessoas hiv+ no Nordeste do Brasil (2016-2022)”, sobre a escre-
vivência da experiência corporal positiva para o vírus da imunodefici-
ência humana (HIV) de uma mulher pobre, latino-americana e vinda
do interior de Baturité, cidade situada no Nordeste do Brasil. A inves-
tigação é vinculada ao Grupo Interdisciplinar Marxista/GIM/Unilab/
CE. Para a autora e o autor, as vidas das pessoas pobres, racializadas,
com deficiência e vivendo com HIV tornam-se indiferentes, reforçando
a tese de que o abandono institucional não é casual, mas estrutural.
A experiência individual se inscreve, assim, em uma coletividade de vi-
vências subalternizadas/pauperizadas, transformando a dor em pro-
testo e a memória em arma de luta.

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Em conclusão, no capítulo final da obra, é apresentado o tex-
to escrito por Vinícius Alves Moraes e Mara Rita Duarte de Oliveira
Berraoui, designado: “A formação técnico-profissional no curso de re-
alização em audiovisual na Escola Pública da Prefeitura de Fortaleza:
jornadas de estudantes trabalhadores frente à precarização do mundo
do trabalho”. O objetivo do artigo é compreender como a organização
escolar e as condições de acesso e permanência refletem desigualdades
sociais e desafiam a formação politécnica em um contexto da região
metropolitana da capital do Ceará. Os resultados mostram que o cur-
so, que foi um projeto de extensão da Universidade Federal do Ceará
por um período de 16 anos, apesar de gratuito, apresentou barreiras
como o horário vespertino, a exigência de maioridade, a ausência
de auxílios à permanência e a carência de certificação pelo Ministério
da Educação. A falta de articulação inter-institucional e a política in-
certa do audiovisual brasileiro precariza seus egressos, que, embora
qualificados, enfrentam um mercado de serviços voltado a trabalhos
sazonais e desprotegidos. Para o autor e autora, o curso tem poten-
cial transformador, mas é limitado pela ausência de políticas públicas
que protejam os trabalhadores.

O livro está no formato digital, é gratuito e pode ser acessado na página da editora Pontes.

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