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Samba Mel Malês recebe 20 estudantes com programação de boas-vindas, orientações e apresentação das linhas de pesquisa

Data de publicação  27/02/2026, 12:05
Postagem Atualizada há 9 horas
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A pedagoga, bailarina e professora Sandra Bulcão encontrou no Mestrado em Estudos de Linguagens: Contextos Lusófonos Brasil-África (Mel Malês) um ambiente acadêmico que converge com suas linhas de pesquisa e, também, com uma forma de reconhecer-se. Pertencente à comunidade quilombola de Acupe – localizada em Santa Amaro/BA – ela tem como foco de estudo, como mestranda, a história de sua avó, dona Santa, que por muitos anos organizou a tradicional manifestação cultural Nego Fugido, na comunidade de Acupe. Sandra Bulcão é uma das integrantes da nova turma do Mel Malês, mestrado que realizou nos dias 26 e 27 de fevereiro sua segunda edição da Semana de Ambientação (Samba), para receber 20 novos estudantes da quinta turma.

A caloura Sandra Bulcão conta, ainda, que vem de uma família de mulheres que sempre lutou e resistiu em favor de manifestações culturais quilombolas – incluindo ela, que traz estudos que versam sobre corpo, território, cultura e oralidade. “Quando entro aqui na Unilab eu me vejo, e pra mim isso é importante; pesquisar sobre algo me enxergando. É uma resistência aquilombada, pensar o coletivo enquanto forma de resistir sobre todas as coisas. E ainda utilizando da arte e da cultura, que são minhas áreas de pesquisa”, conta.

A vinda de Bulcão para a Unilab também acontece a partir de uma indicação de outro mestrando do Mel Malês Thiago Carneiro. Ele defende ainda este ano sua dissertação, tendo como tema de estudo a forma como o racismo incide no ambiente escolar e a ressignificação das relações nos espaços educacionais. Essa pesquisa nasce de uma prática educacional como professor do ensino médio. Nesse espaço, ele começa a observar de que forma o racismo se manifesta entre os alunos e como esse preconceito chega até ele, quando um estudante o chamou de “professor macumbeiro” – expressão que, inclusive, faz parte do título de sua dissertação.

Ele também relata que sua escolha pelo Mel Malês é atravessada pelas abordagens afrocentradas do curso e, também, pela sua intenção de caminhar pela área de Linguagem, para abordar as interfaces do racismo na sociedade, principalmente como ele se manifesta na linguagem verbal, física e corporal. “Eu tinha que estar em uma universidade negra completamente – em relação à centralidade de pensamento – que é o que faz o Mel. Todos meus colegas têm perspectivas diferentes, mas todo mundo trata da mesma coisa: colaborar para o movimento antirracista, para combater o racismo. E é pra isso que estou aqui”, conta Carneiro. Ele, assim como outros veteranos, compareceu ao Samba, para dar boas-vindas aos mestrandos calouros, marcando um momento também de integração no evento.

Mesa de abertura do II Samba Mel Malês

As boas-vindas aos novos estudantes também vieram a partir de uma mesa de abertura do II Samba Mel Malês, composta por docentes, que abordaram, ainda, sobre os estudos que marcam o Mestrado em Estudos de Linguagens: Contextos Lusófonos Brasil-África. “Estudar no Mel é sempre investigar as questões que atravessam os povos não brancos, os povos pretos, indígenas; questões variadas que envolvem raça, gênero, classe, nossos problemas sociais, quer seja a partir dos estudos linguísticos, literários, quer seja pensando no agir docente na sala de aula”, pontuou Alexandre Cohn, pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação e um dos docentes que construíram o projeto do Mel Malês.

Ainda segundo Cohn, estar no Mel Malês é entender e aprofundar-se em algumas epistemologias e formas de fazer ciência não eurocêntricas, que foram historicamente deslegitimadas e deixadas à margem da academia. “Vocês estão aqui para abrir caminhos, possibilidades, para uma equidade, uma justiça social que nós todos precisamos, e buscar essas transformações que a gente tanto almeja na sociedade”, afirmou.

A diretora do campus dos Malês Mírian Reis, também presente à mesa de abertura, agradeceu aos estudantes pela confiança em dividir o sonho de pós-graduação com integrantes da Unilab. “O que nos une é a missão dessa universidade, baseada no princípio da solidariedade entre os povos. Essa é a missão de instituições que se colocam abertas a construir novas relações epistemológicas, na pesquisa e na extensão. E isso também vai transformar as práticas de vocês mais adiante, nas escolas que vocês já trabalham”, disse.

Os coordenadores do mestrado Carlos Oliveira (coordenador) e Sabrina Balsalobre (vice-coordenadora) também marcaram presença na mesa de abertura, destacando a importância do trabalho coletivo dentro do Mel Malês. Oliveira apontou também para o crescimento desse mestrado, cujo número de candidatos para a quinta turma, em 2026, foi de mais de 50 pessoas, para 20 vagas ofertadas. Ele mencionou ainda o caráter inovador do Mel Malês, que está sob nova coordenação. “A gente tá começando uma nova jornada, assim como vocês, uma jornada na coordenação. Tudo o que a gente pensa em fazer é em função de propagar, disseminar e popularizar as pesquisas sobre brasilidades, africanidades, dentro dos contextos individuais de cada linha de pesquisa”, afirmou Oliveira.

A vice-coordenadora Sabrina Balsalobre incentivou o compartilhar de ideias e pesquisa entre os colegas, apoio mútuo, além publicação de artigos e periódicos. “O trabalho que vocês fizerem estarão engrandecendo a ciência nesse país a partir de um outro ponto de vista, de pesquisadores negros e negras, indígenas, periféricos e periféricas. Vocês estão fazendo pesquisa não apenas numa universidade que está na periferia, mas em uma universidade revolucionária, que se propõe a fazer ciência de um outro jeito, com outras epistemologias”, afirmou. Ela também destacou a importância da Extensão na pós-graduação, apontando para um projeto sob sua coordenação intitulado Rede Malês de Educação Popular. Essa iniciativa – que visa democratizar o acesso à educação superior – traz possibilidade de participação de mestrandos, no processo de apoio ao ingresso de estudantes nas universidades.

A mesa de abertura foi composta ainda pelo vice-diretor do Instituto de Humanidades e Letras do Malês Eduardo Ferreira dos Santos.

Programação

A programação do Samba contou ainda com orientações gerais sobre o curso do Mel Malês, no primeiro dia de atividades do evento. No dia 28/02, aconteceu mesa-redonda para apresentação das três linhas de pesquisa do Mel Malês: Estudos linguísticos e suas Interfaces; Estudos literários e suas Interfaces; e Estudos das linguagens em contextos educacionais formal e não formal.

Para obter mais sobre o Mestrado em Estudos de Linguagens: Contextos Lusófonos Brasil-África (Mel Malês), acesse a página melmales.unilab.edu.br.

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