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Egressa do curso de Agronomia da Unilab desenvolve trabalho na área de produção agroecológica em São Tomé e Príncipe

Data de publicação  24/01/2022, 16:06
Postagem Atualizada há 5 meses
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A egressa Luizela Cabral tem levado conhecimentos e experiências de sua formação no curso de Agronomia na Unilab ao seu país de origem, São Tomé e Príncipe. Atualmente, ela trabalha como funcionária pública na Direção de Agricultura Regional, na Ilha de Príncipe, ofertando apoio técnico e de formação aos agricultores familiares da região, com enfoque na agricultura agroecológica e orgânica. A egressa também atua como integrante da Associação Amigos do Ambiente (AARBIP), cujo objetivo é lutar pela preservação do meio ambiente em São Tomé e Príncipe, com trabalhos educativos e de sensibilização, de reabilitação de áreas de proteção como manguezais, além de ações de compostagem, limpeza e tratamento de resíduos. Esse olhar sobre uma agricultura mais sustentável – articulada à preocupação com o meio ambiente e saúde humana – foi desenvolvido, segundo conta a egressa, durante sua graduação na Unilab, onde teve uma formação com ponto focal nessas questões.

Trabalho desenvolvido pela egressa Luizela Cabral de preservação de manguezais, com crianças de uma comunidade em São Tomé e Príncipe

Na graduação na Unilab, Luizela foi bolsista de iniciação científica pelo CNPq e realizou uma pesquisa sobre “Feiras agroecológicas e produção orgânica”, sob coordenação do professor do Instituto de Desenvolvimento Rural (IDR) Joaquim Torres Filho que, segundo destaca a egressa, foi uma referência importante na sua trajetória acadêmica . “O objetivo era acompanhar as feiras, saber sobre as dinâmicas, o que acontecia, qual interesse e opinião dos consumidores sobre produção orgânica, qualidade do produto e outros fatores, pra saber se esse conceito de produção orgânica estava sendo bem recebido pelas pessoas”, explica. A pesquisadora também entrevistou agricultores familiares – alguns inclusive em fase de transição entre a agricultura convencional para a orgânica e agroecológica -, sobre os impactos ecológicos e na saúde deles, a partir de sua forma de cultivo. Durante o estudo, Luizela teve oportunidade de conhecer mais de perto não só feiras agroecológicas que aconteciam na Unilab, como também em outras cidades do Ceará fora do campi, como Juazeiro do Norte e Fortaleza.

Outra ação dentro da pesquisa, realizada no Núcleo de Estudos em Agroecologia e Produção Orgânica (Nea) da Unilab, foi a oferta de apoio técnico aos agricultores familiares. “Como bolsista, por quase três anos, fui me familiarizando com a produção orgânica, que é a única forma que via meus avós cultivando. Alimentei muito o interesse de aprender mais, ir mais a fundo sobre a produção orgânica. E isso teve impacto grande pra mim, depois de minha formação, vindo pra minha ilha. Está sendo um desafio enorme porque aqui antes não se usava muito químico para a produção de alimentos, mas hoje em dia a realidade é outra, ainda mais pra minha ilha que é uma reserva mundial da biosfera”, relata. A agrônoma, egressa da Unilab, conta que atualmente seu país tem apresentado perda de variedade de alimentos e problemas na produção de alimentos como tubérculos e frutas cítricas. E uma das hipóteses para essa problemática pode estar no uso de agrotóxicos.

Da universidade para o campo profissional

Luizela também conta que, além das dificuldades e falta de infraestrutura no atual trabalho, em São Tomé e Príncipe há uma demanda muito grande por recursos humanos com formação superior, na sua área de formação. E que os conhecimentos adquiridos ao longo da graduação têm sido fundamentais no seu trabalho. Atualmente ela também integra um projeto do governo relacionado à sustentabilidade alimentar, que visa reerguer a vida de agricultores familiares que tiveram prejuízos por conta da pandemia. O apoio vem por meio da oferta de suporte técnico, insumos, sementes e outros materiais a jovens agricultores são-tomenses. Dentro desse projeto, a egressa da Unilab é responsável pela área de horta comunitária.

Ela conta que o projeto realizou visitas a, no total, 15 famílias, para saber das dificuldades, ambição e quais as necessidades de apoio. Luizela aponta que esse olhar que busca compreender as reais necessidades do agricultor, de forma holística, foi um dos aprendizados adquiridos na Unilab que ela leva para sua atuação profissional. “O curso me ensinou esse lado humano, de respeitar o meio ambiente. A Unilab me fez acreditar que a agricultura familiar pode sustentar o mundo”, coloca. Ela lembra que a maior parte dos alimentos do brasileiro vem desse agricultores familiares. “O problema não está na produção, mas na distribuição, e a Unilab me fez entender isso”, pontua Luizela, que almeja seguir com reflexões nessa área, por meio de mestrado e doutorado.

Formação multicultural

Além de uma formação acadêmica, a egressa do curso de Agronomia conta ainda que a Unilab proporcionou também um desenvolvimento pessoal em um contexto multicultural. “A Unilab, fora do meu profissionalismo, me formou pra vida”, relata. Ela destaca que seu cotidiano acadêmico aconteceu em meio a “uma mistura de culturas, nacionalidades, pessoas, de hábitos, e isso foi enriquecedor pra mim”, acrescenta.

Essa formação multicultural, para ela, também proporcionou conhecer, por meio de pesquisas, aulas e seminários, realidades no campo da agronomia de outros países. “Havia coisas semelhantes, hábitos e práticas diferentes. Foram várias referências”, aponta.

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